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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fetiches

Existe um certo preconceito contra os fetiches, como se fetiche fosse para os fracos.
Na realidade, o problema nunca esteve no fetiche e sim na confusão que se faz que leva muita gente a se embrenhar no BDSM em busca de realização.
Mas veja, a grosso modo, o que difere BDSM de fetiche é a relação continuada e dedicada, enquanto em um vc se entrega de maneira prolongada, o outro tem o tempo (consensual) de acontecer.
Claro que o fetiche está impregnado em todas as relações, inclusive BDSM. Apesar do núcleo da relação ser algo bem definido, nela cabe alguns bônus que só incrementam, o fetiche incluído.
O fetiche, portanto, não deve ser diminuído, ao contrário, quando do tamanho certo e bem realizado, só mostra a maturidade dos envolvidos.
Um relacionamento baunilha onde os fetiches fazem parte, esquentam a relação e são tratados de maneira aberta só revela a existência de duas pessoas bem resolvidas, no fim, não é este o ponto alto da relação? Se permitir, se encontrar nela?
Em hipótese alguma deve ser considerado algo menor, seus praticantes devem ser diminuídos, justamente pq buscamos respeito por aceitarmos e lidarmos com o que somos, pq então discriminar os fetichistas?
O fetiche tem seu espaço, os praticantes de BDSM tem o seu, por vezes se confundem, se misturam, mas no fim, são individualizados.
O que de fato é ruim é quando vc, indivíduo, por confusão, medo, aventura acaba se envolvendo do lado errado da coisa.
Uma pessoa com forte natureza BDSM que tenta se encontrar na pratica constante do fetiche, óbviamente não pode ficar satisfeita. Um fetichista tentando incorporar as exigências e cobranças do BDSM, idem.
O fetiche, como tudo, deve ser bem tratado, ter o tamanho certo, a lida certa. Sendo assim só tem a acrescentar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Dominação Baunilha.

Todo mundo sabe que antes de descobrir o BDSM, vc passa por fases de seu auto conhecimento, de auto descoberta sobre seus gostos, desejos e natureza.
Muitas vezes, por falta de coragem, vc fica resguardando, reprimindo isto na vida baunilha.
Tb sabemos como é ruim não saber dosar, de equilibrar as coisas deixando a vida baunilha se contaminar.
Mas poucas vezes refletimos sobre como isto afeta os "dominadores".
É preciso olhar com cuidado pra não se deixar confundir.
Nem todo mundo que se passa por "dominador" no dia a dia é de fato um Dominador. Qts usam de arrogância e autoritarismo para esconder sua insegurança, seus medos e fraquezas?
Considerando que um Dominador deve ser bem resolvido, ciente de sua condição e de sua autoridade, alguém que usa máscara parecida não pode ser considerado como tal.
Gritar, gesticular, se impor na força, promover o medo, tentar criar uma imagem que não condiz com sua realidade são artifícios que não podem induzir ao erro de avaliação, não existe ali um Dominador.
Ao contrário, isto depõe contra, não é digno, elegante, refinado como um Dominador deve ser.
Começa pelo fato de um Dominador ter autoridade, não ser autoritário. A Dominação se impõe naturalmente, flui, não é imposta via malabarismos. Como se diz: Dominador não dá carteirada.
Pode até ser que alguns apreciem, se excitem, mas isto só revelará a própria condição de submissão, não de reconhecimento de que ali tem um Dom.
Este não pode migrar pro BDSM, se incorporar, ser aceito como tal.
Mas, enquanto houverem os que os reconheçam assim, assim serão.
Isto não vale pra todo o BDSM? Basta ser reconhecido como tal pra fazer parte? Correndo o risco de errar na leitura e tal?
Mas tudo isto tem uma boa razão de ser, a evolução.
Mesmo por caminhos tortos, vc pode aprender, evoluir e acabar descobrindo sua real natureza, sem subterfúgios.
Mas o falso, o fake não dura, pode enganar por algum tempo, mas jamais por todo o tempo.
O verdadeiro Dominador se revela em pequenos gestos, em atitudes, por sua formação e conduta. Logo os contornos de um Dominador se revelam, se ele vai se tornar um Dom ou permanecer em sua vida baunilha, é outra história, o importante é reconhecer sua real natureza, não se confundir e nem se deixar induzir.
Observem a história, o que difere os grandes lideres dos grandes ditadores. Observe que um desperta admiração, veneração enquanto os outros são marcados pelo medo que provocam.
Em que mãos vc confiaria sua vida? Com quem vc compartilharia seus desejos? A quem vc se entregaria?
É bom cuidar pra não trocar joio por trigo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A Evolução da sub.

Como diz o ditado, ninguém nasce sabendo, o que se aprende depende muito de como vc aproveita a caminhada.
A trajetória de uma sub psico pode enriquecê-la ou não, tudo depende de como fará suas leituras, escolhas, etc...
O primeiro passo, este sim definitivo pro seu sucesso, é se reconhecer sub, observe que se reconhecer é diferente de se achar sub.
A coragem necessária pra se reconhecer e, em seguida, buscar meios para se realizar como sub é fundamental pro que virá, erros e acertos, alegrias e tristezas, momentos de insegurança e risco, realizações e fracassos, tudo vai moldando a sub...
É bom lembrar que a sub deve buscar aquilo e aquele com quem tem afinidade e vontade, esqueçam a conversa fiada que sub deve se moldar ao Dono, a sub só se molda ao Dono depois de definida a consensualidade, onde se considera a afinidade, a partilha, o desejo, o encontro necessário entre duas pessoas para evoluir, só então a sub se molda ao Dono na busca do prazer de ambos.
Claro que uma sub pode buscar justamente aquilo que coloque a prova todas as suas convicções e zonas de conforto, a sub pode sim ir explorar o conflito, o desconforto mas, de novo, é necessário estar sob a condução certa, saber que o Dom é capaz de proporcionar tal viagem.
Ou seja, a sub acreditar que deve se anular, que o servir é simplesmente ser aquilo que o Dono quer sem valorizar seus desejos, vontades e sua própria natureza é conversa pra boi dormir, que ela deve se moldar ao Dono, obedecê-lo cegamente, etc... Tudo isto tem um contexto, baseado sempre na consensualidade, na aceitação, na leitura correta, na convicção da sub...
Passada esta fase inicial, a sub começa a filtrar, fazer escolhas mais apuradas, se sentir confortável no papel, evoluir...
Sua submissão é mais natural, tem muito de condução do Dom, de orientação, da proteção, da intereação entre ambos, de trocas...
Mas ainda não é uma sub plena...
A plenitude da submissão acontece quando todo o processo é intuitivo, natural, fluído... Quando a obediência vem no olhar, quando a condução se dá por sutilezas, quando a proteção não se dá por inseguranças, quando o obedecer cegamente não significa falta de entendimento do que está por acontecer...
A sub serve exclusivamente por prazer, não por necessidade, por carência...
A sub transita numa zona de conforto, confiante e segura de sua condição...
A entrega é plena, rica, sem percalços...
Mas não pense que se chega lá fácil, não tem uma sub que chega lá, e são poucas visto que a maioria fica pelo caminho, que não tenha um histórico de superação, de sofrimento, de angústias, de insegurança, de medo...
A sub quando atinge a plenitude tb é seletiva, não é dependente de estar numa relação, sabe administrar seus momentos, sabe se equilibrar com o lado baunilha... Não é sub para qualquer um.
Que tal? É uma boa meta?
Vale a pena a caminhada... As que chegaram lá, parabéns.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Evolução do Dom.

Pensando na trajetória de um Dom Psico, vemos que ele tb evolui, aprende com a própria prática. Com a vivência vai domando as próprias armas, recursos, vai se domando.
Observem que a ferramenta do Dom, o brinquedinho de um Dom Psico é a mente, quanto mais ele for Senhor dela, mas ele será Senhor de suas subs. Todo o resto é anexo, sem o domínio de sua mente ele não será ninguém.
Evidentemente esta habilidade vai aumentando com a experiência, ao menos deveria.
Comparando o BDSM a um mercado, falo do mercado do ponto de vista técnico, chega um ponto que as próprias subs passam a ter expectativas maiores, o filtro afunila e quem não evolui fica na estrada.
As habilidade de um Dom Psico são conhecidas: equilibrio, maturidade, sensibilidade, agudeza, auto controle, força mental, segurança, etc...
Os primeiros passos costuma ser trôpegos, é a sintonia fina, com o tempo se aprimora, vai ganhando forma, descartando o que é desnecessário, focando no essencial até chegar o ponto que a dinâmica da dominação se processa de maneira natural, sua interação com o mundo a sua volta é fluída, suave, sem sobressaltos.
Esta evolução é fruto de uma longa caminhada, fruto de vitórias e fracassos, de experimentar, de ser capaz de tirar proveito de cada coisa, cada momento até que sua condição de Dom se auto sustenta, sem muletas, sem amparos.
Talvez seja difícil de compreender, mas é semelhante ao aprendizado do caminhar, aqueles passos desajeitados vão dando lugar a um caminhar sem processamento, instintivo, natural.
Reforço que o Dom Psico não tem que dominar uma técnica, um recurso, um equipamento, sua mente é seu recurso, a partir dela tudo se desdobra, acontece. Neste processo vc pode aderir a uma prática, incluir uma técnica, abraçar um recurso, mas só fará sentido se vc tiver as virtudes de um Dom Psico, senão, vc corre o risco de ser mais um farofa que mistura tudo de maneira desordenada, em medidas inexatas.
Esta evolução tb muda as necessidade de um Dom, administra a sede de ter, de possuir. A maioridade de um Dom, seu auge o torna menos dependente da própria Dominação. Ele sabe quem é, do que precisa, sabe como ter, como manter...
É desejável que todo Dom Psico seja paciente e tenha como meta este momento, construir-se até chegar lá.
Não se nega, também, a importância das subs nesta trajetória, de como cada uma vai forjando o Dom, dando-lhe forma, tamanho, relevo. Podemos dizer que conhecendo suas subs, se conhece o Dom. Claro, colocado tudo ao seu tempo, pensando na caminhada, na evolução, lembrando que o erro é parte do processo, fazer-se e refazer-se.
Como toda habilidade, a dedicação e o empenho, fora o talento natural são preponderantes nesta formação, afinal, como todos sabemos, é preciso ter a natureza para pertencermos ao BDSM, senão somos só visitas nos divertindo entre adultos.
Outro aspecto importante é que este Olimpo não torna os Doms iguais, a evolução de cada um se dá na sua linha, na sua perspectiva, no seu formato. Evoluimos dentro de nossas individualidades, sempre. Doms e subs precisam respeitar isto, com o tempo vc aprende a ser fiel à sua natureza, ao seus desejos, à sua individualidade.
Percebam tb que esta evolução vai deixando para trás a arrogância, o destempero, a vaidade... Não tem como falar da excelência de algo sem levar em conta o caráter e o temperamento.
Ninguém nasce pronto, precisamos reconhecer isto no outro e em nós mesmos. É a primeira sabedoria de uma trajetória.