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quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Entrega.

Na Dominação Psicológica, nada é mais bonito e encantador do que a entrega. A entrega pura e simples.

A espera silenciosa pela próxima ordem, a explosão no ato de cumpri-la.

O não pensar duas vezes, fazer sem se perguntar o pq. Estar ali, envolvida, cumprindo o desejo do Dono fazendo sua a vontade dele.

E cumprir com ânsia, paixão, esperando Dele somente a aprovação.

A entrega perfeita, muitas vezes, se dá até sem palavras, na troca de olhares a aprovação, o caminho, o ritmo...

Antes de cada entrega o frio na barriga, a tensão, o medo, tudo dando lugar a serenidade explosiva de cada ato, onde nenhum obstáculo existe mais, só a plenitude da entrega sob a guia do Dono.

Só a submissão permite tal entrega, sem que haja sequer um segundo de vacilo, sem que haja questionamento, sem que haja dúvida, sem que haja medo.

A entrega guarda em si todos os motivos da relação, tudo que une Dom e sub aflora na entrega, quanto mais forte for esta relação, mais exuberante será a entrega.

Não existe nada que substitua ou se assemelhe a entrega, ali se prova de forma concreta a intensidade da ligação, sem artifícios, sem retoques, sem desvios.

Creio que quem deseja viver o BDSM tem como meta atingir a plena entrega, vivenciar este momento, não faz sentido se desviar ou aceitar algo menor, não compreendo o BDSM sem a busca incessante por este momento, quem viveu sabe o que eu digo.

Cegueira.


Não fique cega e envolvida pela sensualidade das imagens, das abordagens. Antes de ser sensual, precisa ser real. Antes de qualquer coisa, precisa se provar convicto e coerente do que se prega.
Só então vc poderá viver e sentir toda a sensualidade e emoção BDSM.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Conversar...

As duas últimas postagens se complementam mas, deixam margem. Nem mesmo o comentário que fiz conseguiu fechar o tema, por isto, complemento aqui o que foi dito.

Habitualmente, quando conversamos com os filhos ou qualquer cirança com o intuito de orientar, abrir uma discussão ou uma reflexão, falamos de nossa experiência e vivência mas preservando, quando conveniente, nome e datas mais específicos.
Desenvolvemos a habilidade de contar histórias sem perder o conteúdo.

Num comentário feito numa postagem anterior, falo justamente disto, quando falo de passar experiência não significa saciar curiosidades sobre intimidades, nomes ou qualquer coisa que seja irrelevante do ponto de vista de experiência.

Tb não sugiro abrir o livro de nossas vidas e expor abertamente, até pq existe tb a autopreservação.
 
Mas supor que uma história não pode ser contada a partir da omissão de nomes, situações, momentos e etc é de um simplismo que beira a mera provocação.
 
O que de fato sugeri é, dentro de uma narrativa ética, adequada e respeitosa, passar à frente as experiências que vivemos, cabe a quem ler ou ouvir aproveitar ou não e, sinceramente, sinto que cumpri meu papel independente do uso que vai ter.
 
Viver é como uma viagem, quando melhor for a composição da bagagem, mais tranquila será. Mas se ainda assim vc preferir ignorar os recursos que tem, é do livre arbítrio de cada um, existem várias formas de se aprender.
 
Costumo dizer (percepção baunilha da vida) que temos ao menos três formas de aprender: Observando, conversando e vivendo.
 
Sempre destaco que sou um observador, mas tenho outra característica que se soma a anterior, adoro conversar. Por um motivo óbvio, além de prazeroso, é sempre muito construtivo.
 
E é justamente conversando de maneira agradável, com os devidos cuidados que, certamente, vc estará contribuindo de alguma maneira com quem começa a dar os primeiros passos no universo BDSM o que, evidentemente, não autoriza ninguém a ser invasivo visto o desconforto que isto causa.
 
Espero ter deixado mais claro, afinal os textos compõe um conjunto de postagens onde falo de cordialidade, aprendizado, proteção do meio, respeito, amadurecimento, etc.
 
É a visão que tenho, um ambiente de boas conversas, onde todos saiam ganhando.
 
Pra finalizar, deixo uma provocação: Uma relação BDSM madura não deixa feridos.

sábado, 17 de abril de 2010

...

Nas entrelinhas estão as verdades...

Blogs.

Gosto muito de ler os diversos blogs disponíveis, principalmente os BDSM.
Todos nós sabemos o intuito dos blogs, para que servem e como podemos utiliza-los.
Para o BDSM os blogs são ainda mais úteis pq fornecem uma fotografia perfeita de como as relações se desenvolvem permitindo aprendizado a todos que adoram BDSM.
Todas as fases são relatadas conforme o momento vivido pelo autor, desde a fase de encantamento, primeiros desafios, medos, desejos, solidificação ou implosão da relação.
São ciclos comuns, identificáveis, pena que muitos blogs se extinguem junto com as relações, quando estes se tornam mais importantes, justamente pela intensidade do aprendizado.
Ou seja, predominantemente temos blogs que duram o tempo de uma relação, relatando as mesmas fases, dando a impressão que tudo é belo e encantador, poucos tem a coragem de manter um blog quando as relações fracassam ou terminam, poucos relatam os motivos que levaram ao fim.
O BDSM e seus praticantes precisam de realidade, não de afagos, precisa de aprendizado, não de fantasia.
Muitos erros seriam evitados se fosse acessível a todos os caminhos percorridos, não devíamos nos envergonhar e sim produzir informação para apoiar aqueles que estão chegando ou vivenciando.
Os blogs deveriam durar bem mais do que uma relação, é a história de cada um, dos bons e maus momentos.
Mesmo nas conversas, ou vc vê amargura ou vê afagos, pouco tendo de realidade, de troca de aprendizado.
Elogio pra cá, elogio pra lá e nada de realidade vivida.
Subs experientes tem quase obrigação de ajudar as iniciantes, não com relatos amargurados ou com afagos infinitos, mas sim falando francamente do que viveu, das diversas nuances das relações, do que aprendeu e do que ainda não sabe.
Senão, teremos somente blogs relatando relações até seu auge e se extinguindo com certidão de óbito.
Os blogs deveriam servir de fonte segura de aprendizado, relatando a vida das subs ou Doms, as conversas deveriam acrescentar, a partir do momento que assumimos nossas responsabilidades como referência.
Lembrando que ninguém sabe ou viveu tudo a ponto de vender receitas via net.
O que quero demonstrar aqui é que anda faltando discussão ao BDSM, em muitos blogs não se vê discussão, o autor posta algo e todo mundo elogia, concorda, poucos contrapõe, discutem.
Mesmo aqui, percebo que mesmo com opiniões formadas poucos comentam, colocam suas opiniões.
O BDSM é, por natureza, conviver com o desconforto, o desafio, vamos aproveitar os blogs para produzir discussão, contar histórias icluindo seus finais, cordialidade não significa que devemos evitar as discussões, mas sim contribuir com o que sabemos e vivemos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O BDSM Teórico.

Em muitas profissões se discute o que é mais valioso, se a técnica ou a arte, se o intuitivo ou o conhecimento.

No BDSM a discussão é parecida, mas por outra abordagem.

Conversando com gente do meio, é fácil perceber que, em teoria, todos são muito bons, são conversas que sempre acrescentam algo, ler blogs então é uma delícia.

Dá a falsa impressão de um BDSM forte, consistente, amadurecido.

Quando começamos a avaliar a prática, como a teoria se desenvolve no mundo real, percebemos a grande fragilidade do universo BDSM atual.

Falta fidelidade ao que se acredita em teoria.

Se fossemos tratar como doença, fazer um diagnóstico, eu diria que o BDSM sofre de abaunilhamento, cada vez mais características baunilhas fazem parte das relações BDSM.

Nada contra, desde que dosadas e conscientes, mas quando os envolvidos sequer percebem ou até acham natural, fica fácil entender o pq da atual realidade BDSM.

Em paralelo ao BDSM, vejo que muitos praticam, consensualmente, uma relação de fetiches que tem como base conceitos BDSM, sem o comprometimento e as exigências deste.

Mas o preocupante são os que realmente acreditam fazerem parte do BDSM sério, real.

Como eu disse acima, em teoria dominam, entendem, dão aula.

O BDSM teórico é lindo, maravilhoso, sedutor e, talvez, isto explique pq mais e mais pessoas aderem.

Mas pq é tão difícil transportar a teoria pra realidade?

Uma coisa é certa, cada vez mais as chances de decepção, frustração aumentam, cada vez mais vivemos experiências que abalam nossas convicções ou paixão pelo BDSM, cada vez adentramos em novas relações armados, desconfiados.

Evidentemente nada disto é bom, é um círculo vicioso prejudicial e que merece de cada um de nós que realmente gosta do que vivemos aqui reveja seus conceitos, postura, que procuremos manter a fidelidade aos princípios do BDSM.

De nada adianta conhecer profundamente o BDSM, de nada adianta vender uma imagem envernizada de algo que, quando colocado em prática, é frágil e corrompido por hábitos baunilhas ou sabe se lá o que.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tabuleiro do Pseudo BDSM - Jogando os Dados

Fases do Jogo:

  • Descoberta
  • Exploração
  • Primeiros Contatos
  • Erros e Acertos
  • Alegrias e Frustrações
  • Salvação da Pátria
  • Encantamento
  • "Auto descoberta"
  • Afirmação
  • Convicção
  • Entrega
  • Decepção e Fracasso
  • Relembrar os Velhos Conselhos
  • Reviver as Verdades Ignoradas
  • Morte do Personagem

Logo temos duas opções: Abandonar o mundo da fantasia ou refazer alguns dos passos anteriores até se dar conta da verdade.

Obs.: Gostaria da contribuição de todos para aprimorar as "Regras do Jogo".