Páginas

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Postura.

Shackled Nude (10773), upload feito originalmente por Rubin Pedro.
Se fala de servir como se fosse o mais importante, como se servir transformasse alguém sub.
O que transforma e revela é sua POSTURA.
Servir, é a parte mais fácil.
Obedecer, chega a ser corriqueiro.
Ter POSTURA é o que faz uma sub.
Não é o servir que faz uma sub.
Não é obedecer que faz uma sub.
É possível uma mulher ou um homem servir, obedecer.
Isoladamente, circunstancialmente.
Mas nada disto farão deles submissos.
O que difere a sub do resto, além do servir e do obedecer, é a POSTURA.

sábado, 27 de novembro de 2010

O Caçador.

Pencil drawing, upload feito originalmente por Uriolus.
Existem misturados a nós pessoas que são caçadoras. Elas se infiltram, agem como nós, inseridas no meio e bem camufladas, mas tem como intuito unicamente um benefício pessoal.
É preciso ficar atento, mas considerando as habilidades do bom caçador, é quase impossível identificar um até que o estrago seja feito.
Muitas vezes eles surgem do nada, se apresentam como se tivessem um longo histórico (provavelmente até tenham, mas de vítimas), são sedutores e envolventes, apresentam certa consistência na abordagem e postura.
Como eu disse antes, eles se incorporam de tal maneira que mesmo o olhar mais atento não consegue perceber.
No entanto, logo que conquistam suas vítimas eles começam a aplicar o “golpe” fatal, envolvidas, elas começam a fazer parte do universo dos caçadores, seguindo as regras por ele impostas, acreditando serem verdadeiras, mesmo que o bom senso indique o contrário.
O caçador pode ter desde um objetivo imediato ou até mesmo um a longo prazo. Quando a caça se der conta, já caiu na armadilha e está recolhendo os cacos. Outras vezes a caça passa por um longo processo onde é consumida, presa a teia, vai se doando, se entregando, se fragilizando, se tornando dependente, dificilmente ela sairá por conta própria, o mais comum é o caçador buscar nova vítima e a caça se verá dependente daquilo que tanto mal lhe fez. Desorientada e sem rumo.
Perceba que o caçador primeiro observa, fica a espreita, escolhe sua caça pelo que ela permite revelar, depois se aproxima como quem não quer nada, se adaptando ao cenário, vai se fazendo presente, envolvendo num ambiente sedutor e confortável, tudo tão encantador que o bom senso da vítima deixa de existir.
Quando a vítima comenta com alguém, fala das coisas boas e, costumeiramente, omite aquilo que pode colocar em dúvida a situação que está vivendo, a última coisa que se quer ouvir é alguém falando de riscos, de que está cometendo um erro, etc. E o maior erro da caça é se sentir capaz de identificar um caçador em ação. O caçador te desarma, elimina sua prudência sem vc se dar conta, e todos os amigos de longos anos se tornam somente ameaças ao feliz casal que se formou.
O caçador tira tudo que puder de sua vítima, hipnotizada, ela nem se dá conta. No final, o caçador larga a vítima desorientada e sem rumo, certamente já tendo nova caçada pra iniciar, uma nova vítima, uma nova identidade, um novo objetivo.
Quanto mais vítimas ele coleciona, mais refinado e bem sucedido fica o estilo, muitas vezes até diminuindo os danos causados, deixando a caça com a impressão de que a falha foi dela, de que perdeu uma grande oportunidade, o caçador agora consegue reverter os papéis, sai bem da cena mantendo uma “lista” de vítimas que acreditam que foram seus erros que afastaram o nobre caçador e ainda se sentem em dívida por terem falhado, o caçador agora forma uma “poupança”, uma reserva a qual pode recorrer quando quiser.
Vida que segue, os caçadores continuam vivendo entre nós, fazendo novas vítimas, alcançando seus objetivos, histórias são esquecidas, perdidas por vergonha de quem caiu na lábia de um caçador.
Para finalizar, observem que no BDSM o caçador não é necessariamente um “dominante”, observem tb que alguns caçadores não querem causar grandes danos, um pouco de aventura e adrenalina, sexo diferenciado são bons motivos pra se ir à caça e, muitas vezes, não existem vítimas visto que algumas pessoas aceitam o papel de caça por conveniência e até cumplicidade.
Cabe ressaltar que muitas vezes falta algo que muito tem sido dito até aqui neste blog, nos diversos comentários recebidos, a humildade de ouvir, se aconselhar, se cercar de pessoas de confiança que possam ajudar.
De nada adianta termos a capacidade de sermos solidários no apoio, orientação e conselhos se não formos capazes de ouvir, de aceitar.
Falo muito de cordialidade BDSM, isto não pode ser um mito, pq é justamente esta cordialidade que nos faz fortes e diminui a chance de termos entre nós caçadores sem escrúpulos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Universo das subs.

Já escrevi aqui antes sobre o mesmo assunto, mas vou tentar me aprofundar.
Sempre recomendo às minhas subs que tenham o máximo contato possível com outras subs, é interessante observar que a maioria prefere ter contatos com Doms na busca de aprendizado, entender melhor o BDSM.
Eu sempre recomendo agregar novas fontes, quanto mais, mais ampla será a discussão e as oportunidades de se trabalhar o aprendizado. Vejo com bons olhos esta busca de informações, de se ter uma ampla rede de contatos, desde que com o devido filtro e sabedoria.
Tb já observei que muita sub, mesmo as mais antigas, falham aqui e ali em alguns conceitos, posturas, coisas que não são de perfil de uma relação, mas são o próprio BDSM, falhar naquilo que é pressuposto básico do BDSM é algo que põe a pensar, ainda mais quando se trata de sub com reconhecida experiência.
Vamos juntar os dois fatos: contatos entre subs e entendimento do BDSM.
Vejo muitas subs, iniciantes ou não, cometendo deslizes, pequenas falhas, mas com ampla rede de "amigas", e nenhuma delas é capaz de dar um alerta, uma dica, conversar, explicar, corrigir.
A rede serve mais pra passar a mão, proteger, aceitar, acomodar.
Erros grosseiros passam em branco, acabam sendo reafirmados pq ninguém, absolutamente ninguém do universo das subs é capaz de ter uma conversa com quem errou, só troca de elogios, apoios, etc.
É assustador, pq pensando o BDSM como um grupo de pessoas reunidas por afinidades e, consequentemente, todos embuídos de termos o melhor ambiente, o melhor entendimento, a sanidade e o bem estar necessário, vc vê pouca gente realmente dando contribuições efetivas pra isto, e as que fazem se desgastam, são comuns as reclamações dos que tentam dar um pouco de equilibrio ao meio.
Sempre digo que ser submissa é lidar com o desconforto, mas quantas realmente estão dispostas a ter uma conversa produtiva com outra submissa quando ela erra, comete um deslize ou tem um entendimento errado sobre determinado tema? Quantas, efetivamente, fazem trocas produtivas de informação ao invés de fofoquinhas sobre A, B ou C?
Se fala tanto em reconstrução, acho que devemos começar a falar de construção, de construir subs que entendam o BDSM, como funcionam suas relações, o que é cabível ou não.
Vou reforçar aqui que estamos falando de BDSM, não da individualidade das relações estabelecidas, acima das relações, está o BDSM. Existe o BDSM e existe aquilo que é próprio da relação. Precisamos valorizar o BDSM, assim permitiremos que cada um viva melhor as individualidades de suas relações.
As subs tem grande contribuição a dar quanto ao entendimento do são, seguro e consensual. A compreensão do servir, pertencer, se entregar. A manter a cordialidade do meio.
Não é possível que se veja subs próximas, de suas relações cometendo erros, se expondo desnecessáriamente, se envolvendo em situações inadequadas e simplesmente passar a mão, dar um carinho, oferecer apoio.
É a contradição ao extremo, vc vê uma pessoa querida afundando nos próprios erros e vai lá dar apoio, dizer que ela está certa, dando força, incentivando?
Apoiar sim, o aprendizado, o crescimento, o entendimento do que é BDSM, de como funciona, alertando pra riscos, direcionando pro caminho certo.
Existem pessoas maravilhosas, de grande futuro no BDSM, totalmente desorientadas pq ninguém, ou poucos, são capazes de dar um carinho em forma de orientação, de sugestão.
Afinal, de que serve ter dez anos de submissão se tudo que sabe fica restrito à vc? Somos caixas lacradas, impermeáveis a tudo? Não produzimos trocas? Nada entra, nada sai?
Tem cenas que não condizem com o bom BDSM. Vc vê uma sub afagando a outra que cometeu um erro terrível, mas ao invés de falar do erro, tentar corrigir, vc apóia, faz aprecer que está tudo bem, o erro em si nem é abordado. Fico imaginando o pensamento interior: "Coitada, tão inocente, vai se dar tão mal neste universo BDSM, mas ela é tão fofinha, bonitinha, deixa ela seguir o caminho dela, logo descobrirá, a duras penas, a realidade..."
Com eu já citei em outra postagem, "mineiro só é solidário no câncer".
Será que tb vale pras subs?