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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Submissão Baunilha

Muitas pessoas relatam submissão como algo sempre presente, mas que não sabiam descrever. Uma opção frequente é a submissão física, no sentido de querer se submeter sob uso de força, energia, sadismo, etc... Esta acaba dando as caras nos relacionamentos, sempre com pedidos constrangidos de uso de força, de um tapa, de xingamentos, etc...
E tem a submissão de obedecer, pertencer, se entregar, satisfazer, estar sob cuidados...
Me dedicando a esta, tema do blog, repito aquilo que é uma constante em meus textos: não confunda...
A submissão fora de lugar, fora de contexto, é ruim, causa mais danos do que ganhos. Não a toa acaba sendo mal vista, como sinônimo de nulidade, de "mulher de malandro", de mulher sem iniciativa, etc...
Não existe proteção numa relação onde um lado "explora" o outro, tira proveito, se beneficia sem oferecer nada em troca.
Por isto a submissão tem seu espaço, se encontra e florece quando dedicada à um Dom, quando vc tem um Dono consensual ao qual vc se submete de vontade própria, dentro de condições pré acordadas.
Misturar as coisas não funciona, a mairoia em algum momento se dá conta, mas achar a solução...
Tanto a Dominação quanto a submissão tem dois lados, um obscuro e outro colorido, mas nem todo mundo tem a chance de conhecer, sequer de viver o lado iluminado.
Como faca de dois gumes, muitas vezes é a própria submissão que te arrasta pra armadilha, nós que não se desatam.
Mas quem disse que uma sub deve ser nula, fraca e sem iniciativa?
Ao contrário, se submeter exige uma força sem igual, uma coragem impar, qualidades que tornam a mulher sub alguém fora de série. Tanto é verdade que poucas são bem sucedidas.
Não vou aqui fazer o discurso do caminho fácil, não é. Não é fácil começar muito menos se manter, mas se vc encontrar as mãos certas para te conduzir, segure.
Mas não se iluda, antes de tudo observe, estude, explore bem pq nenhuma ilusão resiste a um bom teste de paciência.
Uma única coisa é certa, sem a condução certa, nenhum tipo de submissão é válida.
Sua liberdade de escolha é sagrada.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Confiança

Todos sabem da importância da confiança na relação, qualquer que seja ela. A confiança estabelece as possibilidades, define os limites, desenha a relação em si.
Confiança é um dos pilares da relação BDSM, não tem como avançar sem ela, ao contrário, só se avança conforme ela cresce.
Mas visto assim de maneira pura, podemos perder o essencial, a confiança se espalha na relação, tem formas variadas, é quase o ar que se respira.
Vc confia na pessoa, vc confia em vc, vc confia nas suas e nas decisões do outro, vc confia na sua intuição, vc confia na entrega, vc confia no seu potencial e no do outro, etc...
Claro que vc precisa confiar no outro pra evoluir, mas não basta, vc conhecendo o outro, sabe onde ele pode chegar e confia nisto, investe nisto.
São confianças diferentes que determinam o caminhar.
A sub, por exemplo, deve confiar na condução do Dom, nas escolhas dele, na capacidade de tomar decisões, de lidar com situações complicadas, de saber se portar numa sessão, de ter a ética necessária, de saber lidar com as questões pessoais de ambos, de ter auto controle, na habilidade do trato, na concepção de situações, no equilibrio emocional, etc...
Na maioria das vezes vc tem uma ou outra confiança, mas aqui e ali acaba rolando uma insegurança, um receio, algo que te trava, pode até te impedir de ir além.
Já o Dom deve confiar na capacidade da sub, é abrangente dito assim, tudo começa na identificação da submissão real, na capacidade dela de reagir e lidar com as diversas situações, na condição emocional, psicológica e até intelectual, na capacidade de aprendizado, de evolução, na maturidade, na postura, na capacidade de proporcionar prazer, fazer leituras corretas, manter o foco, não distorcer realidades, entender os significados da relação, na entrega física e emocional, identificação dos limites, na capacidade de supera-los, etc...
Normalmente a relação se inicia assim que se estabelece a confiança, mas a caminhada só será definida conforme as diversas confianças forem se estabelecendo.
Relações promissoras podem ser só isto depois de um tempo, ficarem na promessa, outras com expectativas menores podem surpreender e crescer, avançar, ganhar forma de maneira inesperada e surpreendentemente boa pra ambos.
Pq se a confiança é a força que inicia a relação, são suas variantes que definem o tamanho e a forma.
Isto explica pq as relações são tão diferentes, pq não tem receita pronta, a tal sensibilidade envolve perceber o grau de confiança para cada aspecto da relação.
Uma coisa é certa, poucas relações atingem confiança total, é quase lendária a relação onde Dom e sub conseguem tal nível de confiança que a partir dali, tudo podem. Não o tudo podem irresponsável, mas dentro do que ambos querem, desejam, cogitam. O livro de folhas brancas diantes dos dois, para que se escreva todas as formas possíveis dentro daquela relação.
Poucos chegaram tão longe, poucos tiveram a capacidade de ler a oportunidade, e muito menos ainda tiveram a chance de vivenciar.
Quem tiver a chance, não desperdice, não deixe nada te tirar esta oportunidade, VIVA.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O tamanho da relação.

Na relação de Dominação Psicológica o Dominador deve ter a responsabilidade de definir o tamanho que ela terá. Compor os ingredientes desta relação, definindo como cada um vai fazer parte, estabelecer limites, criar possibilidades dentro daquilo que a relação permite.
E o que a relação permite depende muito do que a sub é capaz de lidar, e ai entra a leitura do Dom. Tb é preciso considerar o que o próprio Dom tem interesse em compartilhar, ceder, permitir.
Se vc subestimar ou superestimar a relação, criará zonas de atrito desnecessárias que nem sempre serão administráveis. Efeitos colaterais, se existirem, devem ser previstos.
A dosagem deste processo tb está nas mãos do Dom mas, é fundamental, que a sub confie para que possa seguir em frente. Nem sempre ela terá o que deseja, ao menos a primeira vista pq, se bem conduzida, logo ela entenderá as razões Dele. Outras vezes o caminho aponta pra bem mais longe que a sub se sente capaz, mas se o Dom fez a leitura e a dosagem correta, ela logo descobrirá e lidará com novos horizontes.
Não existe receita pronta, sempre digo isto, tem um pouco de intuição, muito de percepção. Identifcar o potencial da sub, ensina-la a lidar, ganhar confiança, dar o tamanho exato à relação para que ela prospere.
Nem sempre é fácil esta leitura, no aprendizado do Dom é onde ele mais vai errar.
Mas, já amadurecido e vivido, competente na arte de Dominar, ele enxergará na sub seu potencial e, dentro da dinâmica natural, saberá se posicionar e conduzir. A dinâmica natural diz que as coisas mudam, ou seja, esta leitura deve ser capaz de acompanhar as mudanças, ter esta sensibilidade é parte fundamental da formação do Dom.
Mas a sub, no processo de confiança que se estabelece, deve saber que seu Dono sabe o que faz, faz as escolhas certas, abre as portas que deve abrir, mantém outras fechadas, respeitando a individualidade da sub, seus recursos e limites.
Algumas raras vezes o Dom percebe que tem nas mãos uma sub que permite ir mais longe, explorar de maneira única tudo que a relação oferece, este evento só ocorre com a composição certa, quando Dom e sub encontram seus parceiros reais, quando a busca termina, pq houve o encontro. Esta rara relação, quase lendária, permite que ambos explorem sem tantas (ou nenhuma) barreira, todas as possibilidades com que ambos tem afinidade, gosto, desejo. É o compartilhar.
Mas não se antecipe, não pense como os adolescentes que acham que o primeiro amor é tb o grande amor. Não faça uma escolha conveniente. Sabendo o tamanho certo de sua relação, será feliz nela.
Cada relação te prepara, te amadurece, te ensina a lidar, a perceber.
Um dia vc estará pronto(a) para, quem sabe (e se tiver sorte), encontrar a relação plena, que te complete, te preencha, te permita vivenciar o melhor de uma relação Dom e sub.
Viver intensamente cada relação, respeitando seu tamanho, só te tornará capaz de ir mais longe.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Canalizar sua natureza.

A maioria das histórias de membros do BDSM envolve a percepção já de longo tempo de que tínhamos algo de diferente, uma necessidade, uma inquietação. O problema é que, muitas vezes, não sabíamos lidar com isto e tirava a desenvoltura da vida, limitando, pertubando, afetando nosso modo de ser e nossas escolhas.
Ai vem o BDSM se descortinando como solução, mas...
Com o passar do tempo as coisas não acontentecem como esperado, ao menos na vida baunilha.
O problema é que poucos conseguem canalizar exclusivamente sua natureza Dominante ou submissa para as relação BDSM, continuam deixando "contaminar" a vida pessoal.
O sucesso na vida baunilha depende da maneira com que vc se relaciona com o mundo, como vc se posiciona e usa suas virtudes, neste universo tanto uma quanto a outra natureza que fazem o BDSM, afetam os frutos que vc colhe, seu desempenho.
Não dá pra ser submisso no dia a dia, muito menos pensar que o mundo está aos seus pés. Profissionalmente é um erro, garantia de que vai ficar estacionado a não ser que vc tenha um talento fora de série que te permita ser aceito do jeito que é.
Na vida pessoal, os efeitos costumam ser bem piores, degradando a relação, afundando até que não reste alegria, só auto consumo. Claro que por vezes vc dá sorte e encontra no parceiro o que o nome sugere, complemento à sua natureza e vcs vivem uma relação que vai se equilibrando como pode. Mas e os filhos? Como educar bem os filhos se deixar predominar uma destas naturezas? Preciso responder?
O óbvio de tudo isto é que nossas naturezas se encontram e prosperam no ambiente BDSM mas são fontes de problema na vida baunilha.
Se não souber canalizar, o conflito se torna uma constante, te consome, afinal de contas, depois de experimentar sua real natureza, em todo seu potencial, a tentação é imensa de "exportar", mas não, não faça isto.
O BDSM é aprendizado, te ensina a organizar sua vida, a colocar cada coisa em seu lugar, sem este aprendizado, sem a sabedoria de dosar, vc corre o risco de piorar aquilo que só era uma inquietação.
O BDSM permite sua natureza aflorar, ganhar corpo, vivenciar tudo aquilo, mas só dentro do BDSM. Canalizando, vc terá liberdade e força pra viver a vida baunilha conforme as exigências delas, sendo forte, capaz, equilibrado e sábio.
Ser bem sucedido como submissa ou Dominante significa que vc soube, também, canalizar, dar o espaço devido, colocar as coisas cada uma dentro do seu espaço.
BDSM, lembre-se, não é substituto, não é alternativa, é algo pra ser vivido com inteligência e de maneira integral. BDSM não compete, mas complementa. O BDSM, acima de tudo, ensina, te preenche, te dá vida.
Transitando dali pra vida baunilha, vc estará mais forte, mais bem resolvido(a), mas senhor(a) de seus atos. É assim que deve ser.
Mas se alguém imagina que sua natureza pode ocupar todos os espaços, boa sorte. A vida cobra sua conta. Mas não creio que o masoquismo vá tão longe e por tanto tempo, a infelicidade costuma ser dura demais com as pessoas.