Páginas

quarta-feira, 31 de março de 2010

Msn.

Dentro do exposto no texto anterior, vemos no Orkut uma série de perfis BDSM, de todo tipo e variedade, um mercado rico.
Para bom observador é uma delícia, em contraposição, é um risco pros desavisados.
Mas o que mas tem me chamado atenção ultimamente é que em toda frase de primeiro contato se menciona o msn, às vezes exigindo, outras só informando...
Parece que o msn é a credencial para fazer parte do clube.
Mais impressionante é a aceitação desta "regra" como algo nato ao BDSM.
Partindo desta visão grotesca, como era o BDSM sem msn? Toda modernidade substitui um recurso anterior, é a evolução.
Onde se encaixa o msn na evolução do BDSM?
Nada contra o msn, ao contrário, o que se discute aqui é o imediatismo do uso, é a tal credencial, vc precisa fornecer pra ser aceito.
Faz algum sentido?
"Seja bem vinda, me passa seu msn..."
"Escrava, me adicione imediatamente no msn..."
É irreal até se lembrarmos do Consensual, onde ele se encaixa nesta modalidade de relação?
O conceito de que é preciso primeiro se estabelecer uma relação para só então ter poder sobre a sub.
O conceito de cordialidade entre membros, de se conhecer o outro antes de ter expectativas, quaisquer que sejam.
Não existe aproximação, as características são de caça, quem jogou a rede primeiro ganha, a caça é de quem abateu.
Tudo bem, vc pode ter esta visão distorcida, mas pq tanta sub cai na armadilha? Por lógica deveria logo defenestrar quem age assim, pq no primeiro contato já diz ao que veio.
O mundo paralelo do BDSM é tão estranho...
;-)

terça-feira, 30 de março de 2010

A invasão.

Muito tem se discutido sobre a invasão que o BDSM sofre com a popularização da internet e da informação.

O bom BDSM, praticado com respeito, entrega e por fazer parte da natureza do individuo ficou difícil de encontrar, e os poucos que sobraram acabam perdidos neste mar de confusão, afinal, a arte de "se passar por" anda muito apurada, é difícil distinguir o falso do verdadeiro, por vezes só se descobre da pior maneira.

Por consequência, quem realmente pratica BDSM começa a perder o encantamento, se torna desconfiado, adota uma postura de precaução seja pra não alimentar expectativas equivocadas, seja para não cair em armadilhas.

Evidentemente não é uma invasão composta exclusivamente por gente com más intenções, muitos fazem por erros de leitura do que sentem e são, outros por expectativas equivocadas, muitos por necessidade de algo que não sabem ainda o que é.

Olhando mais profundamente, encontramos variados tipos, mas a maioria parece caber em algumas definições:

O BDSM como solução para diversos dilemas morais.

Senão, vejamos.

*O indivíduo que tem dificuldade de lidar com traição;

*O individuo casado, com sólida formação familiar que sente desejo de estar com outro do mesmo sexo, mas não quer ser tachado de homo ou bi;

*O indivíduo que tem dificuldades de manter compromissos sólidos e contínuos.

Todos estes encontram porto seguro no BDSM, justificativa pra seus atos e desejos.



Por outro lado temos os espertinhos, em busca de sexo fácil, aventura, sexo apimentado, etc.

Nem todos, evidentemente, são capazes de ações danosas, mas são hábeis na condução e convencimento (até de auto-convencimento) e, eventualmente, acabam por encontrar parceiros que aceitam viver esta fachada perfeita e de tão bem sucedidos viram referência.

Eu ousaria dizer que dentre todos citados aqui é a espécie com vida mais longa no BDSM



E, finalmente, temos os que acreditam piamente pertencerem ao meio, tem domínio da teoria, dos conceitos, possuem atitudes adequadas mas que acabam desconfortáveis e inquietos numa relação puramente BDSM (sem purpurina, sem baunilhismos).

Expostos as cobranças naturais do BDSM, tem desempenho falho e se frustram, tudo pq construíram um sonho de contornos tão perfeitos que parecia real, ou simplesmente pq de fato nada mais tinham do que um fetiche.



Leva algum tempo pra vc acordar pra realidade mas, muitas vezes, se percebe a utilidade de se manter a fachada, visto os ganhos obtidos (lógica humana com boa dose de maquiagem pra amenizar a culpa).



O BDSM tem na simplicidade sua maior virtude: são só três regras, a convivência é educada, tem aceitação e companheirismo que dão ao BDSM uma elegância e finesse difícil de encontrar.

Ao mesmo tempo isto se torna uma armadilha pq permite à muitos conhecerem os conceitos o que, em contrapartida, produz um fato interessante, observem como ultimamente proliferam ótimos textos sobre BDSM, do ponto de vista cultural podemos concluir que o BDSM vive sua fase mais rica, com vasta contribuição de todos os lados, inclusive daqueles que falham na sua aplicação.

Existe um domínio teórico fabuloso entre os praticantes, considerando que a maioria age de boa fé, é uma pena que não consigam trazer para a realidade o que em teoria são capazes de desenvolver.

O melhor do BDSM hoje em dia é discuti-lo, é um tema rico que gera ótimas conversas, com riqueza de entendimento, de leitura.

O pior do BDSM é o trazer pra realidade.



O que quero aqui dizer é que não dá pra sair espanando geral e impunemente, não dá pra sair condenando quando se sabe que somos seres humanos, com vontades, desejos, necessidades. Em busca de um entendimento do que somos, sentimos, fazemos. É da natureza humana errar, e quanto mais se tenta, mais se erra.

Devemos sim alertar, zelar pela sanidade, cuidar para que cada um que aprecia o BDSM, mesmo que por natureza não caiba no meio, tenha uma relação saudável e positiva com aquilo que acreditamos, ofereça sua contribuição para o enriquecimento do meio.

Mesmo que tenha sido dolorosa a vivência, que o BDSM deixe marcas de crescimento, amadurecimento em cada um que ao menos tentou.

A invasão é um processo natural e inevitável, que pode ser canalizada pro bem, se cada um tiver comprometimento com o BDSM, todos ganharemos.

domingo, 28 de março de 2010

Sobre o Observar...

Quando se observa o que cabe é o todo, sair do foco da ação imediata para enxergar o todo.
A dica é justamente esta, se ficar focado em um ponto, perderá todo o resto, se seguir o script, não verá nada.
Mas mesmo mudando de estratégia verá tudo? Não.
A graça está nisto. Vc só consegue parte da resposta, mas quanto mais souber, melhor será.
Devemos aceitar que jamais vamos ter o todo das respostas.
Ter parte da resposta, talvez grande parte, mas não ousar ir além pq é a viagem do impossível.
E vc, prefere ter a parte óbvia da resposta supondo já tê-la por completo?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quem vc quer convencer?

"Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo." (Abraham Lincoln)

O que vou dizer aqui não é brilhante, sequer é algo novo, ao contrário, é muito evidente e conhecido por todos: nosso maior inimigos somos nós mesmos.

Apesar de verdade absoluta, irretocável, continuamos cometendo os mesmos erros, através de mentiras que só servem pras nossas conveniências, de atitudes que só minam o que somos.

Vamos conduzindo nossa existência com decisões covardes, que afetam sim aos outros, mas que tem em nós as maiores vítimas.

Não pense que vc é imune, todos nós em algum grau comete em algum momento da vida um crime contra si próprio.

Escolhas erradas, recuos equivocados, avanços impensados...

Pior, a gente pensa que faz o certo.

Mas a verdade é que a gente evita encarar a realidade, evita as dificuldades, queremos o caminho fácil.

Olhe a sua volta, quantos relacionamentos vão ruindo? Escolhas erradas.

Quanto profissional frustrado? Decisões erradas.

Mas vamos lá, vamos seguir em frente, muitas vezes convictos que nossa mentira, de tão bem montada, vai convencer os outros, e nos entenderão, perdoarão, ou sabe-se lá o que.

Mas no fundo, só causam dó, piedade ou riso desenfreado, visto que pra cada um que quer nosso bem, tem uma série de gente quer nosso insucesso... E se vc contribui pra isto, fará a alegria de muita gente...

E vc vai levando sua vidinha pacata, fugindo dos desafios, optando pelo que está ao alcance das mãos, e quando se olha no espelho, uma expressão triste, acabada, um exemplar digno do fracasso.

Será que vc foi feito(a) pra isto? Veio pra este mundo somente pra constar, ser coadjuvante? Nem mesmo na sua vida vc tem ação?

Por quanto tempo vai insistir na mentira? Por quanto tempo vai seguir o caminho errado?

Se isto não bastasse, existe o rompante, é perceber todos os erros da caminhada e resolver implodir tudo, detornar, destruir...

Mas ninguém é de todo inútil, nada é de todo inútil...

Quem disse que mudar radicalmente de caminho significa um acerto? A noiva que se prostitui quando se toca do erro que estava cometendo.

Vamos nos prostituir pra nos sentir mais vivos?

Como já disse tantas vezes, o que a vida requer são pequenas e sábias intervenções, não retoques, mas reformas definitivas aqui e ali.

Trate sua vida com respeito e qualidade, não insista no erro, se perdoe, peça perdão. Retome os acertos, conserte os erros. Valorize sua existência.

Afinal, vc não vai conseguir mentir pra si mesmo(a) todo o tempo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Reconstruir.


untitled
Upload feito originalmente por micmojo

Por vezes a vida nos pressiona, coloca em risco nossos sonhos.
O que fazer?
É sempre uma decisão difícil, até pq nem sempre é um processo tranquilo, natural, por vezes é feito de ameaças, riscos.
Assustados, só cometemos mais erros, e muitas vezes nos afastamos daquilo que nos acolhe e fortalece.
Viver exige sabedoria, sabedoria exige força.
Mas se percebemos o erro, talvez ainda dê tempo de usar de sabedoria, por caminhos tortos tentar recompor o que colocamos em risco, recuperar o tempo perdido.
Não digo pra confrontar irresponsavelmente o que a vida nos cobra, mas cabe um olhar mais equilibrado de tudo que há em volta, cabe ouvir, buscar apoio, cabe pensar nas saídas que temos, pq a vida cobra posicionamento, não recuos.
Algumas vezes fazemos escolhas somente por uma história, história sem vida, sem graça, tentando um último suspiro, enquanto a vida e as oportunidades passam lá fora.
Receita: Reconstruir.
Casa caindo aos pedaços pede obra, não remendos.

sábado, 13 de março de 2010

Desconstruir - Por Cristal

"Através de uma conversa no MSN cheguei a esse tema e comecei a refletir acerca da construção e desconstrução de uma submissa, agora trago para cá minhas reflexões sobre o assunto, dividindo um pouco de mim com vocês...



Todos sabem que o término de qualquer relação é um momento difícil, delicado para ambas as partes, seja dentro ou fora do SM, sempre será complicado, com várias nuances e períodos.



As relações SM tem um diferencial das outras, sua profundidade, intensidade, doação e entrega. Conhecemos nossos parceiros por inteiro, desvendamos e dividimos os mais íntimos e profundos desejos, compartilhamos sonhos, fantasias, prazer, medos e inseguranças, trocamos confiança mutuamente.



Porém como em qualquer relação exige-se maturidade, talvez até em grau maior do em outras relações, devido a sua intensidade, temos que ser conhecedores dos nossos limites, nossas metas e objetivos a serem alcançados dentro e fora do SM. Dividimos isso com nosso parceiro, esperando e confiando que Ele irá sabiamente nos guiar, conduzir e ensinar a trabalhar cada um de nossos limites, de forma a construir uma mulher completa: fêmea e submissa.



Sim, Ele irá nos auxiliar nesse processo, não fará tudo sozinho, nós temos que querer essa mudança, essa construção, essa moldagem. Nosso parceiro nos construirá sem anular quem de fato somos, nos construirá através de nossas próprias bases, e quando essas bases não estiverem sólidas o suficiente, Ele nos ensinará a solidifica-las.



Com o tempo estaremos transformadas em mulheres verdadeiras, capazes de sermos felizes sem precisar nos esconder de nós mesmas, deixando toda carga de incertezas, dúvidas e inseguranças iniciais para trás. Vislumbramos o mundo então, com outros olhos...os olhos do nosso construtor...e essa mudança faz-se evidente em nossas vidas, tanto no pessoal, como no familiar, profissional e sentimental.



Crescemos e aprendemos a enfrentar nossos desafios sob um ângulo completamente diferente, pois passamos a nos conhecer e aceitar de verdade nossas necessidades, nossos anseios e incertezas. Aprendemos que mulher e submissa não se separam, se completam.



Então se é assim, porque desconstruir?...porque acabar com algo positivo, que só nos acrescentou tanto como mulher e submissa?



Parece-me incoerente...seria uma violência contra nós mesmas...estaríamos matando-nos, anulando-nos novamente juntamente com o fim da relação. Tudo o que havia sido construído ao longo da relação se perderia...esquecido...anulado...



Recomeçar não significa anular-se novamente, apagar o que você foi com o outro, significa um novo começo mais amadurecida e fortalecida, com um conhecimento sobre si muito maior do que tinha antes, seria um acréscimo, relação é um processo evolutivo e não estacionário.



Talvez o que ocorra e alguns confundam, é o desvencilhamento da figura do ex-Dono, e isso não é desconstrução, é um processo natural de rompimento, que ocorre sem aviso prévio, não há como prever o futuro, se a relação vai evoluir e tornar-se sólida ou não, se aquele rompimento é definitivo ou se ainda irão se encontrar no futuro, mais fortes e amadurecidos.



Toda relação acrescenta, não zeramos o marcador a cada nova relação, aprendemos e crescemos com cada uma sempre.



Desligar-se de um Dono é um processo que dói, machuca, mas também fortalece, nos leva a enxergar nosso interior e faz-nos analisar o antes, o durante e o que será o depois. E é assim, de surpresa, sem preparo e nada gradual que as coisas acontecem, essa é a vida de uma submissa, repleta de surpresas, hora agradáveis e fáceis de se lidar, hora não.



Mas, sinceramente não acredito que uma submissa que deixou-se construir a cada dia queira se desconstruir ao fim da relação, não depois de conhecer-se e saber-se capaz de superar limites, quebrar tabus e preconceitos, expandindo isso para limites muito além do SM.



Nos desligamos do Dono, mas nunca em que nos transformamos, do que juntamente com Ele foi construído com paciência, carinho e dedicação de ambas as partes.



Essa é minha opinião, não significa ser a única ou a mais correta, estou aprendendo e crescendo a cada dia, buscando minha construção nesse processo, evoluindo sempre...então é claro que amanhã uma nova visão pode vir a surgir".


segunda-feira, 8 de março de 2010

O que vc faz com a sub dentro de vc?

Algumas pessoas acham fácil esconder a sub, reprimir e até matar.
Fazem de tudo, tentam de todas as maneiras.
Outras se saciam com relações convenientes, simulam uma relação forçosamente teatral ou mesmo com falsa entrega.
Mas e dentro de vc, como a sub fica?
Quantas vezes ela dá as caras? Quantas vezes te faz sofrer?
Não acredito em nada que seja capaz de domesticar a sub a não ser um bom Dom, a vida baunilha jamais será plena se a sub não estiver bem resolvida.
Não acredito em sacrificar a sub pra ser feliz, sendo a sub parte essencial de sua existência.
Mas se vc prefere viver uma mentira, tentar se convencer do contrário, terá uma longa convivência com a inquietude, a insatisfação, e sua vida baunilha, que vc tanto deseja resolver, vai se perdendo, fragilizando estruturas, minando a resistência.
No que devemos acreditar? Que outras mentiras vai contar pra si mesmo(a) e para os outros?