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quinta-feira, 26 de junho de 2014

O artesão e sua matéria.

Uma das boas verdades sobre Dominação Psicológica é referente aos eventuais estragos que causa, por imperícia, excesso de vaidade, falta de cuidado, de preparo, etc... Casos não faltam para ilustrar.
Mas é importante analisar com cuidado, pq a boa Dominação promove outros tipos de efeitos.
Vejamos então, usando como referência o artesão e sua matéria prima, a habilidade do artesão no manuseio das ferramentas disponíveis assim como a escolha certa da matéria prima definem o sucesso de sua arte, não?
Pensando no Dom como artesão e a sub com a matéria a ser trabalhada, a combinação de habilidade e afinidades é determinante para o sucesso.
Ou seja, por mais habilidoso e capaz que o artesão seja, suas habilidades de nada valem com matéria prima que não seja de sua esfera de "afinidades".
O manuseio hábil decorre do gosto, da dedicação, do aprendizado e de condições inerentes, de formação mesmo, são pré-existentes certas condições que te fazem um artesão.
Assim como a matéria prima só tem seu melhor uso na "arte" certa, senão vira coadjuvante, acessória, irrelevante, corre o risco de se quebrar ou se perder em mãos pouco habilidosas...
O sucesso da arte depende deste "encontro" entre o artista e sua matéria, da afinidade entre ambos, de como se completam, de como fluem um com o outro.
Não é qualquer artesão ou qualquer matéria, os melhores artesões se perdem e os melhores materiais viram refugos e desperdício em artes que não sejam as suas.
Alguns materiais exigem refinamento, outros exigem força, alguns exigem combinação de habilidades, outros só ganham forma num único manuseio, outros só depois de fases diversas.
E isto, claro, considerando que ali exista um artesão, se formos considerar aqueles que estão ali só por curiosidade, experimento, vontade de aprender, dá pra se imaginar os danos que se pode causar.
Vc pode ter os equipamentos necessários, mas sem a habilidade, vai desperdiçar material.
Tendo em mente o comparativo, coloque argila nas mãos erradas e espere que dali saia um vaso. Quais as chances?
Coloque uma tela branca, tintas e pincéis nas mãos de outro qualquer e espere um belo quadro. Quais as chances?
E uma oficina completa de carpintaria, linda de ser ver, mas sem o habilidoso artesão. Quais as chances?
Veja, usando de novo a referência de artesão, todos nós temos nossas curiosidades, vontades, muitos de nós quer de fato dominar uma arte que já apreciamos. Mas o aprendizado é feito de perdas e ganhos, muita matéria se perderá, muita ferramenta se quebrará, muitos ajustes serão necessários, é inevitável. Nem sempre o estragos são causados por má fé, mas se for, fuja dos inábeis e dos oportunistas.
A questão é que não se pode desistir, os dois lados tem sempre algo a aprender, é uma troca, muitas vezes silenciosa, de mergulhar nos meandros da arte que se busca dominar. Pois é, primeiro se domina arte, pra depois...
Se vc olhar a trajetória dos artesões, lá no começo ele titubeava, cometia erros, metia os pés pelas mãos mas tb estudava, se dedicava, tinha talento pré existente, algo que certamente iria aflorar definitivamente algum dia.
E muita matéria que foi maltratada, teve uso diverso de sua real utilidade, persistindo, vai encontrar as mãos que lhe darão os contornos certos.
O aprendizado é parte do que nos tornaremos, às vezes é preciso passar por percalços até se chegar aonde se quer, aonde muitas vezes nem imaginamos. Tudo depende de nossas escolhas, do quanto nos dedicamos, do quanto persistimos.
Os danos são consequências de nossas escolhas, do quantos nos preparamos para a "viagem", afinal, muitas vezes buscamos os atalhos (artesãos sem preparo, matérias não adequadas, etc.), aceitar eventuais erros é parte do processo, seguir em frente é uma necessidade.

2 comentários:

Anna Nahan disse...

Onde aperta pra dar 1000 loves??? <3 <3 <3 <3

Perfeito esse texto, pra variar o Senhor sempre aborda excelentes questões, de maneira sensata e inteligente. Não preciso dizer o quanto o admiro e admiro a forma como transmite seu conhecimento....A analogia que fez usando o artesão e sua matéria prima foi magnifica, conseguiu passar de maneira simples e inteligente que a matéria prima certa (afinidades) nas mãos certas e habilidosas (artesãos de fato) se transformará em uma obra de arte.

PARABÉNS pelo maravilhoso texto, esse está entre os melhores que escreveu.

Jade disse...

Bom o texto e a comparação. Mas fica uma dúvida na frase ente perdas e danos neste processo, quando se perde a matéria (no caso a sub), o que acontece com esta matéria??? Pq o artesão teve um aprendizado, mas e a matéria perdida?
Entendo que sendo argila por exemplo, se não foi ao forno (não passou pelo processo de cozimento, ela pode ser reprocessada e voltar seu estado inicial, para de novo ser "moldada"?
As vezes me sinto assim neste meio, uma argila tomo formas, mas me dou conta que ainda estou no estado cru...