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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Era do Marketing.

É assustador ver a quantas anda o BDSM, agora com novas práticas, não de dominação, mas de mercado.
Já era um problema ter tanta gente se dizendo membro, agora "evoluímos" pra propaganda rasgada e escancarada.
Promessas então, nossa, tem dom garantido viagem à lua, claro, sob a módica quantia de...
Cada vez mais aquilo que era condenável vai se tornando uma constante, e cada vez mais o bom e velho BDSM fica fragilizado, encoberto de tal modo que fica difícil distinguir, saber o que é verdadeiro ou falso.
O que alguém que chega e observa de longe vai constatar? Dom propagandeando seus grandes feitos, fazendo promessas com garantias através de folders, banners, cobranças por boleto, cartão, etc...
Só pelo lado da propagando temos uma aula de "mercado", temos dom pra todo tipo de preferência, antes era o dom fofinho, aquele que faz poemas dedicados à amada, comprava presentes, floreia para encantar sua vítima. Tinha o dom profissional, cobrava por serviços prestados, sem garantia de seu dinheiro de volta. Tinha o dom sexta feira 13, prometia horrores, verdadeiras noites de terror, tudo sob o mais alto nível de segurança.
Agora temos o dom esóterico, promete vaigens espirituais pra dentro do seu ser (sei por onde ele vai entrar). Temos o dom fim do mundo, aproveite antes que acabe. Tem tb o dom montanha russa, espirais intermináveis de emoção e gozo. E o dom líder de gangue? Vai só juntando sua tropinha. Tem o dom paz celestial, nele vc vai encontrar toda paz que procura (me lembra Raul Seixas com "meu cajado vai te purificar").
A lista é enorme e não para de crescer mas, como diz a velha frase, eles estão certos, errados estão quem lhes dá apoio e existência.
Como tudo se banalizou, parece que esta nova onda vem reforçada pelo "50 tons de cinza", talvez eu precise ler.
Quando se contar a história do BDSM, será que contarão que nos primórdios isto era coisa séria? De gente que tinha a natureza, se respeitava, que a entrega era verdadeira, que as pessoas sentiam prazer de fato, que não eram fugas, que não erámos regidos pelas leis do mercado, que era preciso ter estrutura pra lidar, que não bastava parecer, era preciso ser?
Me vejo com um neto no colo contando como era bom o velho BDSM e ele fique surpreso como as coisas de fato eram. Ou talvez ache antiquado... Parece que isto já começa a acontecer.

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