Cegos no Castelo.

A inveja e a cobiça realmente não combinam com BDSM. Pois é, falamos tanto das virtudes que, por vezes, nos esquecemos dos vícios e defeitos que corrompem tudo.
Mas, felizmente, sempre tem aqueles que, em seus excessos, nos lembram de que devemos zelar pelo que temos de mais precioso.
Não é de hoje que alguns tentam exercer o papel de donos do BDSM, os sabichões que, em suas arrogâncias e prepotência, menosprezam as individualidades e os direitos alheios. Por eles, teríamos não três regras, mas uma constituição estabelecendo plenos poderes pra eles, claro. Já li propostas, por exemplo, de que toda sub antes de se submeter aos seus Doms consensuais, deveriam passar pelas mãos "sagradas" de uma elite, que assim se auto definiam.
E aquilo que tem de mais belo se tornaria cinza, perderíamos o direito de estabelecer nossas relações de maneira consensual, teríamos carteirinhas como as de motorista, com classificação, renovação e taxas. Pagaríamos anuidades como as dos conselhos regionais, logo teríamos provas como as da OAB, todos os equipamentos e brinquedinhos precisariam de selo de algum instituto gerido por este grupo.
E onde ficaria o bom e velho BDSM? Seria proibido até de se falar, livros seriam queimados junto com qualquer filme que, mesmo que de passagem, tivesse uma cena de Dominação, falar do "são, seguro e consensual" receberia pena grave.
O BDSM é construído em cima de respeito, da troca, do entendimento. Não são regras feitas somente para proteção, o que é importante, mas para assegurar que as pessoas tenham o direito de encontrar aquilo que as complementa como individuo. Cada individuo que tenha uma natureza dominadora ou subserviente, em suas infinitas possibilidades, desde que dispostos a manterem relação continuada e duradoura, encontra aqui seu lugar.
Não precisamos de mais regras, não precisamos de ninguém nos dizendo como, quando e com quem fazer. Temos não só o direito a estabelecer nossas relações como tb de fazê-lo da melhor maneira, que seja respeitoso com o outro e consigo mesmo.
Cada relação oferece uma nova leitura, uma nova abordagem, um novo entendimento sem perder a essência que promove o encontro entre duas ou mais pessoas numa relação dentro do que chamamos BDSM.
No entanto, sempre tem alguém tentando impor sua leitura, seu modo de ver as coisas.  Cada um tem o direito de fazer do jeito que quiser, desde que de maneira respeitosa e responsável, desde que dentro dos limites da sanidade, daquilo que se estabelece entre duas pessoas. Como se diz, seu direito termina aonde começa o meu.
Mas, apesar de toda a obviedade, sempre tem alguém distorcendo tudo, indo contra tudo que se prega, convenhamos, é como pregar a paz impondo a guerra.
Esta tal cegueira, ou afronta, é digna de pena, coisa de quem não sabe conquistar pelo próprio mérito, daqueles que, perdedores, buscam possuir através de meios escusos, de armadilhas, falsidades, mentiras.
Ou será que realmente não enxergam? Incapazes de apreciar e aprender com a riqueza que se espalha diante de nós, que se mostra de maneiras tão bonitas e especiais.
Bom, contra esses, prudência. Cuidado com as belas maçãs oferecidas, a vaidade torna as pessoas capazes de tudo.
Por isto o velho conselho: viva intensamente sua relação, se dedicando à parceria, às descobertas e ao aprendizado. Cuide de seu espaço, de suas coisas, cresça e amplie o que tem, não deixe que nada nem ninguém tire de vc(s) aquilo que conquistaram. Cuidado com os falsos amigos, com os conselhos dados sempre em hora oportuna, cuidado com quem divide suas conquistas, a inveja corrói.
Só vcs sabem a beleza daquilo que possuem, sem a necessidade de expor em vitrines, de gritar aos sete ventos, pois, cuidado, a inveja sempre estará a espreita e ela detesta ficar de fora.

Comentários

silenciosa sub disse…
Boa noite D Eros..
Como sempre ótimo texto que demonstra como, infelizmente, ainda tem pessoas que não são partidárias do: cada um cuidando de sua vida.
Poderiam estar vivenciando o mundo BDSM, construindo relações bacanas e tendo muito mais a ganhar, mas ainda preferem invejar e tentar corromper os que ainda levam a coisa à sério.
Lamentável.

Saudações,

g.

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