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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Discussão atual

Uma rápida busca por BDSM nos buscadores e vc vai achar imagens de conteúdo sexual, sado, bondage, etc. Se procurar sites ou espaços mais "especializados", idem. Se conversar com simpatizantes, curiosos, iniciantes ou gente recém chegada ao meio, muitos vão dizer que nem sabem o que é DP. 
Dominação Psicológica vem virando "lenda" dentro do meio, logo não fará mais sentido compor a sigla, dê outro uso, inventem algum termo pq Dominação Psicológica mesmo, está se extinguindo. 
Bom, alguns definem humilhação, autoritarismo, obediência crua, etc como DP. Mas e a boa DP? De conduzir uma sub, prepara-la, torna-la melhor, tirar dela seu melhor, com dedicação, obediência e entrega real? 
E vc, o que acha? A DP está em extinção?


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dono, seu parceiro.

Nem tudo é como queremos, nos cabe adaptar. Então, é dentro das possibilidades impostas pela vida que as coisas acontecem, nem tudo é planejado, às vezes tudo depende do cenário, do momento, cabe sim ficar atento, observar, ver, analisar, pensar.
De repente, algo acontece, se cria.
A mente da gente precisa ser flexível, no sentido de estar pronta pras possibilidades. Se pensar obsessivamente em algo, vai se frustrar por não conseguir, quando a vida é feita de grandes pequenas conquistas diárias.
Sub deve tb pensar, ficar atenta, não ficar presa ao óbvio, eis um grande erro, nenhuma sub faz o que faz para e pelo Dono, basta pensar.em alguns pontos:
sub gosta de servir?
gosta.
gosta de agradar?
gosta.
quer evoluir?
quer.
quer superar desafios?
quer.
o Dono é o guia, o norte, o condutor.
Claro que ele ama conseguir tudo isto, mas no fim, a sub é a maior ganhadora.
Quando se consegue colocar as coisas em ordem, superar as limitações, combater os defeitos, vc, como sub e mulher, ganha. enquanto o Dono, seu condutor, fica feliz e recompensado.
Agora, se vc fizer só pelo Dono, se anulando, se esquecendo de vc, ai não tem ganho, felicidade.
Em tudo, vc é a vencedora, sempre.
E o Dono o feliz parceiro da jornada.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Esclarecimento.

A caminhada normalmente é no escuro, com confiança e entrega, mas os objetivos devem ser claros. Ambos devem saber claramente o que o outro espera. Saber que do outro lado da escuridão haverá claridade e transformação.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

50 Tons x Mulher de Malandro.

"Quando o cara é feio e pobre e bate na mulher é lei maria da penha, se é rico e bonito é 50 tons de cinza".

Posso estar redondamente enganado, mas pelo que converso por ai tem gente se inspirando numa história de mulher de malandro com toques de refinamento.
Conforme a piada acima, que me contaram hoje, questão de ponto de vista ou de uma bela edição.
Submissão existe em escalas diversas, é óbvio, afeta uma série de decisões e posturas, mas daí a achar que temos Dominação vai uma distância.
O conceito popular e, muitas vezes preconceituoso, é de que mulher de malandro é aquela que gosta de apanhar, ama o seu "sádico" e tem um medo terrível de perdê-lo. Com pequenas variações, gira em torno disto.
Mas no fundo, não é a história de 50 tons?
Então sou rico, bonito, elegante e ganho passe livre pra bater?
Repito, estou reproduzindo aqui uma leitura constante, de muitas mulheres que num primeiro momento se encantaram com o Sr. Grey, até que tiveram a sabedoria de se informar melhor.
O legal do marketing deste caso é que brotam novos Doms usando o nome do personagem ou variações, não bastasse o efeito que causa nas mulheres, até os homens estão "colhendo" os frutos.
Nada contra o livro, sua história, até tentei ler, mas... Me lembrou aqueles livrinhos antigos que vendiam em banca de jornal. Acho que toda forma de expressão, de relato, de criação é válido, mas deve se sujeitar ao senso crítico das pessoas, e é isto que faltou.
E virou moda teatralizar sexo com pegada, submissão ou seja lá o que for. Se sujeitar mesmo ao peso da entrega ninguém quer.
Espero que fique evidente aqui que não é o livro o meu foco, mas sim o entendimento que tiram do conteúdo.
Submissão, como eu disse e aqui repito, se revela em diversos momentos e circunstâncias, até na mulher do malandro, e é justamente o não entendimento do que é e como funciona que faz de tanta gente vítima, refém de seus desejos.
Existe sim um "mundo" onde tudo isto é tratado com respeito e responsabilidade (ao menos existia), onde se busca não só o entendimento mas tirar dali algo mais nobre, mais profundo e que enriqueça os envolvidos de maneira plena.
Não dá pra ser algo caricato como 50 tons ou tantos outras obras.
Até as melhores obras (cito A Secretária, História de Ó que de formas diversas mostram com rara sensibilidade o tema) devem ser absorvidas com os devidos filtros, senso.
Convenhamos, ficção demais atrapalha, pior que tem gente que acredita e repete aquilo como se verdade absoluta fosse, se travestindo de Sr. Grey. Estamos tirando regras de livros de ficção de uma autora, E. L. James, que confessa: a trilogia foi o resultado de minha crise de meia idade. "Todas minhas fantasias estão ali [no livro]".
No fim, não difere muito da mulher de malandro e sua realidade, só transportada para um belo cenário, com toques de refinamento e pitadas dos mais elementares fetiches.
No entanto, se tiver a sabedoria de procurar ir além, ai sim pode ser algo transformador, afinal, não se pode negar, todos nós chegamos aqui por caminhos tortos, ninguém nasceu sabendo ou acertando de primeira.
Está em suas mãos ser mulher de malandro ou uma sub com uma bela trajetória.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Porta Errada.

Uma das coisas óbvias sobre Dominação é que o Dom deve ter autoridade moral. Ou seja, o respeito da sub surge naturalmente.
Tão óbvio que nem se discute, mas aposto que muitos até se surpreendem.
Ou seja, não adianta usar de artimanhas para parecer "maior", vc jamais vai mudar seu tamanho pq escreve com MAIÚSCULA, pq é ríspido no trato, pq chega dando ordem, etc.
Como tantas vezes bem dito, existe uma diferença entre autoritarismo e autoridade.
Pode até ser que vc já tenha, inerente, autoridade, portanto não é preciso se travestir de sei lá o que.
Conhecimento, cultura, domínio sobre o assunto, auto controle, apuro, etc são qualidades que definem a boa Dominação.
Outro recurso vastamente utilizado é usar a sub pra fazer propaganda, já que estamos em período eleitoral, sugiro tb que adotem algum jingle, uma musiquinha pegajosa com rima fácil.
E ainda dando aula de assessoria de imagem, escrevem os textos que sua sub deve propagar aos quatro cantos, muitas vezes recheados de elogios eróticos aos "dotes" do dono.
Convenhamos, tá complicado... Dominação que é bom... Nada.
Vitrines não faltam, tb sobram aqueles que batem palmas igual foquinhas de circo. Será que fazem isto pq? Realmente apreciam este circo de horrores ou nem se deram ao trabalho de pensar?
Outra coisa assustadora é sub elogiando bunda e peito de outra. Quando foi a última vez que vc leu algum elogio à um ato de submissão? À evolução de uma sub? O aflorar? Me manda o link, por favor.
O que inspira hoje é bunda, peito, dedos melados por supostas masturbações, paus, dotes, etc. Dominação e submissão?
Devo ter me distraído e errado de porta, pq isto não é o BDSM que conheço.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Afinal, quem é que manda?

Vou tentar esmiuçar algo que vem me chamando a atenção. É um exercício que convido todos os leitores a fazerem, até pq, seja qual for o resultado, certamente aprenderemos mais.
É difícil compreender certas engrenagens das relações BDSM, a principio é uma relação entre um Dominante e um subserviente numa relação continuada, é minha resumida e frequente definição.
Se tem um Dominante, ele conduz a relação, em tese, uma relação por afinidades, onde os dois se completam.
Mas...
Não dá pra não ver que existe um mercado virtual de facilitação das relações, com muita publicidade, anúncios disfarçados e todos os recursos possíveis para valorizar seus atributos tendo como fim atingir seus objetivos.
É onde as coisas desandam...
É sabido que são infinitas as possibilidades de relacionamentos, desde que atendam as mínimas prerrogativas, portanto, defini-las ou resumi-las é impossível, como bem sabemos.
Tb é consenso que as relações são conduzidas pelo Dominante, não? Cada um do seu jeito negocia, apara as arestas e se compromete com aquilo que se inicia.
Isto, num resumo bem simplório, é o BDSM.
E quando a lógica é revertida? 
Pois bem, vou encurtar a parte filosófica, olhando bem de perto, vc descobre que as relações são cada vez mais determinadas pelas "subs", cabendo ao "Dom" apenas um papel protocolar.
"Subs" fazem as regras, definem os scripts, estabelecem os termos da negociação e quem aceitar que assim seja, terá a honra de usar seu nome ao lado do dela.
São "subs" que não buscam um Dono, que não buscam exercitar sua submissão lidando com o desconhecido, se submetendo à vontade alheia, mergulhando em suas zonas mais nebulosas, querem somente alguém que seja daquele jeitinho que elas tanto gostam.
Isto não é novo e, além disto, é conveniente, pq uma das grandes habilidades masculinas é ser justamente aquilo que a mulher quer.
"Me bata" - "Com prazer"
"Me coma" - "Só se for agora"
"Seja carinhoso" - "Tá bom"
Homens são adaptáveis, perfeitos camaleões e executam bem tarefas que lhe são naturalmente prazerosas. Mas dominar que é bom...
Não que isto não possa dar certo, temos diversos exemplos que mesmo começando tortas, algumas relações se desenvolveram, amadureceram com contornos próprios do bom e velho BDSM.
Eu vou mais longe, eu diria que a maioria das relações funcionam assim, dentro do desenho estabelecido pelas "subs", com os "Doms" cumprindo religiosamente seus papéis, e ai daqueles que ousarem fugir do script.
E haja dança das coleiras, pq se não for "obediente, o "Dom" roda. 
Sendo assim, claro que a "sub" se sente no direito de cobrar, de ter crises de ciúmes, de fazer baixarias públicas, de detonar uns e outros, afinal, elas que mandam.
Isto de Dom conduzir a relação é coisa antiga, é jurássico. Regras, que regras se tenho as minhas? Me servem bem e isto me basta.
Isto não torna o "Dom" fraco, afinal, é esperteza, ele tem seus benefícios, mas se quiser mantê-los, siga a risca ou cisque em outro terrenos disposto a exercer outro papel previamente desenhado para caber certinho numa "sub", se a recompensa é boa, pq não?
O legal disto tudo que a grosso modo, é uma putaria interminável, mas é tratado de maneira tão filosófica e profunda que quase convence, fica mais fácil acreditar quando são SUAS verdades, não é?
São belos textos, imagens (algumas nem tanto), são verdadeiros tratados sobre a "submissão", com deliciosas pitadas de romance (50 tons?).
Não existe a experiência real de submissão se vc previamente determina como tudo vai funcionar, quando até as prerrogativas do dominante estão sujeitas às suas vontades.
Mas tudo bem, é um engodo mas que só afeta seu criador. Os riscos, supostamente calculados tb são todos seus. Existe ganho, evidente, eu diria até que o desgaste e a tensão são bem menores, afinal, tudo segue um roteirinho.
Lidar com o inesperado? Conviver com o desconforto? Desconfortável ficava sua avó... 
E como erva daninha, isto vai tomando conta até que começam a se dar conta que nunca se viu um Dom de verdade, eles existem? E as subs de verdade?
Como eu disse no começo, convido a cada uma a refletir no assunto, mas nãos e contente com a superfície, não se contente com as verdades óbvias, faz bem exercitar a reflexão de um assunto que é tão valioso pra nós.

O artesão e sua matéria.

Uma das boas verdades sobre Dominação Psicológica é referente aos eventuais estragos que causa, por imperícia, excesso de vaidade, falta de cuidado, de preparo, etc... Casos não faltam para ilustrar.
Mas é importante analisar com cuidado, pq a boa Dominação promove outros tipos de efeitos.
Vejamos então, usando como referência o artesão e sua matéria prima, a habilidade do artesão no manuseio das ferramentas disponíveis assim como a escolha certa da matéria prima definem o sucesso de sua arte, não?
Pensando no Dom como artesão e a sub com a matéria a ser trabalhada, a combinação de habilidade e afinidades é determinante para o sucesso.
Ou seja, por mais habilidoso e capaz que o artesão seja, suas habilidades de nada valem com matéria prima que não seja de sua esfera de "afinidades".
O manuseio hábil decorre do gosto, da dedicação, do aprendizado e de condições inerentes, de formação mesmo, são pré-existentes certas condições que te fazem um artesão.
Assim como a matéria prima só tem seu melhor uso na "arte" certa, senão vira coadjuvante, acessória, irrelevante, corre o risco de se quebrar ou se perder em mãos pouco habilidosas...
O sucesso da arte depende deste "encontro" entre o artista e sua matéria, da afinidade entre ambos, de como se completam, de como fluem um com o outro.
Não é qualquer artesão ou qualquer matéria, os melhores artesões se perdem e os melhores materiais viram refugos e desperdício em artes que não sejam as suas.
Alguns materiais exigem refinamento, outros exigem força, alguns exigem combinação de habilidades, outros só ganham forma num único manuseio, outros só depois de fases diversas.
E isto, claro, considerando que ali exista um artesão, se formos considerar aqueles que estão ali só por curiosidade, experimento, vontade de aprender, dá pra se imaginar os danos que se pode causar.
Vc pode ter os equipamentos necessários, mas sem a habilidade, vai desperdiçar material.
Tendo em mente o comparativo, coloque argila nas mãos erradas e espere que dali saia um vaso. Quais as chances?
Coloque uma tela branca, tintas e pincéis nas mãos de outro qualquer e espere um belo quadro. Quais as chances?
E uma oficina completa de carpintaria, linda de ser ver, mas sem o habilidoso artesão. Quais as chances?
Veja, usando de novo a referência de artesão, todos nós temos nossas curiosidades, vontades, muitos de nós quer de fato dominar uma arte que já apreciamos. Mas o aprendizado é feito de perdas e ganhos, muita matéria se perderá, muita ferramenta se quebrará, muitos ajustes serão necessários, é inevitável. Nem sempre o estragos são causados por má fé, mas se for, fuja dos inábeis e dos oportunistas.
A questão é que não se pode desistir, os dois lados tem sempre algo a aprender, é uma troca, muitas vezes silenciosa, de mergulhar nos meandros da arte que se busca dominar. Pois é, primeiro se domina arte, pra depois...
Se vc olhar a trajetória dos artesões, lá no começo ele titubeava, cometia erros, metia os pés pelas mãos mas tb estudava, se dedicava, tinha talento pré existente, algo que certamente iria aflorar definitivamente algum dia.
E muita matéria que foi maltratada, teve uso diverso de sua real utilidade, persistindo, vai encontrar as mãos que lhe darão os contornos certos.
O aprendizado é parte do que nos tornaremos, às vezes é preciso passar por percalços até se chegar aonde se quer, aonde muitas vezes nem imaginamos. Tudo depende de nossas escolhas, do quanto nos dedicamos, do quanto persistimos.
Os danos são consequências de nossas escolhas, do quantos nos preparamos para a "viagem", afinal, muitas vezes buscamos os atalhos (artesãos sem preparo, matérias não adequadas, etc.), aceitar eventuais erros é parte do processo, seguir em frente é uma necessidade.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cadela!!!

Vou falar de algo que em meus mais de dez anos no meio, sinceramente, nunca achei necessário tratar. Para mim é algo tão bem resolvido que nunca teve relevo pra merecer mesmo uma citação.
Pode vasculhar o blog e suas inúmeras postagens, qtas vezes usei o termo cadela?
Veja que ao falar de mim acabo falando, por consequência, de todas as pessoas com quem convivi e compartilhei momentos dentro do meio.
O BDSM é amplo em suas possibilidades, contempla tantas situações e é assim mesmo, já comentei isto e não vou me repetir.
E é esta universalidade que impede qualquer coisa que seja restritiva, rótulos é um bom exemplo, cada um busca aquilo que mais convém e melhor define.
Temos vontades e desejos próprios, riquezas bem pessoais, virtudes e defeitos que nos individualizam, e é o encontro disto tudo que produz os melhores resultados dentro de cada relação, a troca.
Evidentemente cadela é um destes termos populares no meio mas, convenhamos, bem limitador.
Tem cadelas, óbvio, tem os adestradores, óbvio, mas toda sub é cadela?
Isto ofende minha inteligência.
Eu acho indiscutível o assunto, ai alguém fala que se tem coleira é cadela. *:( triste 
Como assim?
O simbolismo mágico da coleira ficou restrito a isto?
O Dono é o proprietário de... uma cadela? Então tudo se resume a isto? Algumas vezes eu disse que a sub pode vir a ser a propriedade mais preciosa de um Dom, acho que isto distancia um pouco as coisas.
Sub se usa!!! Gritarão alguns... Tudo bem, respeito quem pense assim, mais do que respeito, acho plenamente justificado e enquadrado nos bons conceitos BDSM. Mas nem toda sub se usa. Na Dominação psicológica, por exemplo, alguns níveis de relação são marcados pelo compartilhar, relações tão azeitadinhas que Dom e sub exercem seus papéis com uma fluidez deliciosa, sendo a sub a companhia perfeita, em todos os sentidos. Quem nunca viveu isto, eu recomendo.
Veja, em nenhum momento condeno o termo, não deixo de reconhecer que se trata de um grupo bem representativo no meio e com práticas plenamente aceitáveis, o que justifica a postagem é a generalização.
O termo cadela parece que vem autorizando o primeiro contato agressivo, autoritário, uma leitura que Dom tudo pode e sub tudo deve. Se fosse assim, que pena seria, pq qto deixaríamos de experimentar e vivenciar, nas riquezas infinitas que a Dominação e submissão podem oferecer.
Não só as relações são muito ricas, é preciso reconhecer que as subs tem muito a oferecer.
Não dá pra ignorar que trazem experiências, características e aspectos que muito engrandecem a relação, se vc souber aproveitar isto, perfeito.
São os tais tesouros que falei em outra postagem.
Acho que já bastam os perigos externos e naturais que corremos, se dentro do meio surgir nova ameaça, o que será de nós? Vamos virar um clubinho do sexo?
Com todo respeito às cadelas, até pq, não parte delas o equívoco, mas vamos separar o joio do trigo.
Não, o universo BDSM (veja, universo, o que se pressupõe amplo, infinito) não fica restrito à conceitos, e "cadela" não pode e nem deve se generalizar.
É preciso respeitar a individualidade e a universalidade do BDSM, é preciso valorizar as diferenças, sem preconceitos, sem soberba.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O Tesouro.

Dom vasculha a sub, e descobre seus tesouros...Pq eu faria o contrário? Pq impor as coisas que eu gosto se uma sub pode me surpreender?

segunda-feira, 24 de março de 2014

Alerta!

Cuidado!!!
Não confunda pornografia visual e/ou escrita maquiada de BDSM como se fosse o próprio BDSM. Nem tudo é o que parece.
Autenticidade é tudo.

O Conselho

É preciso entender que sub se desenvolve em silêncio, que cresce ouvindo, praticando em reserva tudo aquilo que a tornará grande.
Tem uma frase antiga, talvez não seja tão bela como as que costumam pipocar na net, mas que diz muito: Seja como a luz que atravessa o pântano sem dele levar o lodo...
Sub é isto, exposta a todo tipo de coisa, mas que segue em frente ciente daquilo que faz parte do seu EU. Sub pode estar nua numa vitrine diante de centenas de olhares, mas ninguém verá do que ela é feita, só seu Dono.
Sub não é um amontoado de coisas, de peças que vai recolhendo pelo caminho, sub é construção minuciosa, cuidadosa com partes que são relevantes no todo.
Quando entender que seu crescimento é sua exclusiva responsabilidade, não algo feito na base de erros e acertos, mas de paciência, seleção, serenidade, a sub dará muitos passos na direção que quiser.
Quando falo sua exclusiva responsabilidade é necessário entender que, no fim, quem processa tudo que recebe é a sub, seja algo vindo do Dono, de uma irmã de coleira, de uma colega de trabalho, de um texto que leu, de uma notícia de jornal, etc...
Sub não é uma coletânea solta, de corte colagem que acaba se tornando algo disforme com o tempo, é preciso ter coerência com seu EU sem se deixar contaminar.
Então, Seja como a luz...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Círculos.

Os efeitos da Dominação são como círculos um dentro do outro, os mais amplos partindo do Dom, os menores dentro da sub.
E são os menores que se referem ao qto a sub consegue se dominar, controlando e lidando com seus temores e desejos, com tudo aquilo que pode vir a corromper sua submissão e, consequentemente, destruir todos os círculos que se formam.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Exercício ou Prática?

Não se exercita a submissão, visto que ela é pré existente. Vc a pratica. O que de fato ocorre é um processo de quebrar barreiras, derrubar bloqueios, ou seja, os avanços são na direção de tornar a submissão mais fluída.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Uma forma...

As relações BDSM buscam o prazer, sem dúvida. O prazer de Dominar, o prazer de servir, o prazer da companhia certa, o prazer da evolução, o prazer sexual, etc...
Mas me chama a atenção como o prazer sexual permeia o meio, é tanta imagem, tanto relato que me pergunto sobre os outros prazeres. Sexo, que deveria ser meio, ferramenta ou algo do tipo parece ser o foco principal para muitos.
E, como forma de obter o melhor "desempenho", se usa e abusa da força, da imposição, do autoritarismo, da energia física aplicada ao ato, à Dominação.
Até a estética do sexo ficou meio em segundo plano, numa abordagem mais erotizada, sexual.
Mas estamos falando de Dominação/submissão. E as outras formas de submissão, perderam valor?
Vejamos por exemplo uma sub delicada, inteligente, de trato agradável, excelente companhia, presença que intensifica o orgulho do Dono.
Difere um tanto das abundantes imagens que vemos por ai, mas pq não exerce mais o mesmo fascínio de antes?
A submissão tem várias formas, mas estamos nos resumindo cada vez mais.
Uma relação de Dominação pode se dar (por sinal, deveria se dar) pelo olhar, por gestos, por música. A sub sabendo de antemão como se portar, como agradar. Tendo a percepção do gosto do Dono, se movimentando sempre de modo a satisfazê-lo quase que o antecipando, se colocando à disposição antes mesmo que a ordem venha.
A imagem clássica da submissão é intuitiva, onde os dois interagem com fluidez, compreensão mútua, não aos solavancos.
O sexo está contemplado, e pode ser tão intenso e selvagem quanto se possa desejar... E, pra brindar a relação, será perfeito e pleno, pq fluirá como toda a relação.
Não existe um modelo de relação, aquela que é a forma perfeita, no fim, dentre tantas variedades, experimentaremos algumas que nos forjarão como Dominadores e submissos(as)... O que me preocupa é a sensação que cada vez mais prevaleça um formato onde a força prepondere sobre a inteligência, inclusive na Dominação Psicológica, o que é quase contraditório.
Descrevi aqui uma relação que considero o supra sumo, o auge visto que exige dos dois apuro, refinamento, compreensão dos papéis, segurança no seu exercício, confiança um no outro fora que é de uma beleza extrema e, dentre cada possibilidade que o BDSM oferece, haverá uma que se considere plena.
Vejo que todos nós temos uma caminhada dentro do BDSM, uma longa caminhada, de aprendizado e experiências, uma trajetória que nos fará melhores, mais hábeis, mais confiantes e, consequentemente, sabedores do que queremos... Como arte, de artesões para artistas.
Sem termos objetivos, se focamos demais no imediato, não tem evolução. Sem se saber onde se quer chegar, tudo é aventura, montanha russa.
Vamos acertar, vamos errar, ter sucesso, fracassos, decepções, alegrias, conquistas, tanta coisa nessa caminhada... Pode ser legal, divertido viver o agora, experimentar, viver uma sucessão de eventos sem pensar em nada... Não condeno, sinceramente. Mas se depois de tudo isto, vc não perceber nada, não se dar conta do que tinha, não sentir a transformação, perderá algo fantástico de se experimentar.
Cerveja sim, mas tb um bom vinho. 
Somos seres evolutivos (deveríamos ser), o BDSM é dos meios que mais permitem transformações, uma viagem inesgotável de possibilidades, acreditem nisto, invistam nisto, desejem isto, cobrem isto.
Não se cobrem prontos antes da hora, pq a viagem em si já é deliciosa, curta cada fase, tire dela tudo que puder, até chegar o momento que se sentirá capaz da melhor das relações, mesmo que ela tenha pouca chance de acontecer, mas saberá que fez a melhor das caminhadas...

A Fantasia e o Fetiche no BDSM

Muita gente adere ao BDSM para realizar suas fantasias e/ou fetiches, algumas vão além estabelecendo relações fetichistas que não seguem os rigores da relação Dom e sub.
Mas não vou tratar destas relações e sim das fantasias e fetiches dentro de relações BDSM.
Se tem de maneira clara que quem define os rumos da relação é o Dom, desde que dentro do consensual, portanto, quando se tratar de realizar fantasias ou fetiches, serão as dele, tendo a sub como meio.
Mas a sub fica chupando o dedo?
Considerando que as relações devem ser acordadas, os termos colocados todos de maneira clara e seguidos de maneira religiosa, se supõe que a sub, ao escolher se entregar, sabe o que terá, se suas fantasias e fetiches serão contemplados e, consequentemente, a aceitação das fantasias e fetiches de seu Dono.
Acima de tudo fica a relação Dom/sub, norteada por um acordo, que cresce na base da confiança adquirida. A relação, nesses termos, permite explorar uma série de possibilidades, todas dentro do consensual, entre elas, fetiches e fantasias.
É importante ter isto claro pq a relação BDSM se distingue do simples fetiche pela existência de regras, por ser algo continuado e bem mais amplo.
Óbvio que a relação pode ser fortemente marcada por algum fetiche, por alguma fantasia mas, sempre, terá como escopo principal a percepção de quem um sempre estará Dominante.
Também, de maneira natural, no decorrer da relação, novos fetiches e fantasias são explorados, afinal, as possibilidades sempre serão amplas e o BDSM, com suas regras, dá segurança pra isto, se falo de regras, implícito está que falo de consensual, pq não cabe impor algo que e sim evoluir de modo a ambos se perceberem capazes de abrigar novas formas dentro da relação.
São sutis as diferenças? Talvez, mas uma coisa marcante na relação BDSM é sua continuidade, é a maneira que duas ou mais pessoas se relacionam e os papéis que cada um exerce com a plena aceitação e reconhecimento do outro, não é um experimento de momento, uma vontade passageira ou algo que se visita ocasionalmente.
Se vc espera uma relação onde possa realizar seus fetiches e fantasias, escolheu o lugar errado, o BDSM é muito maior que um simples espaço de diversão, prazer...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A Ética

A postagem anterior remete a ética, não é a primeira vez que o assunto compõe uma postagem, mas não sei se alguma vez me dediquei exclusivamente ao tema.
Ética é daquelas coisas tão óbvias que esquecemos de tratar, e é algo tão fundamental no meio que até eu me surpreendi tentando rememorar as vezes que tratei do assunto e me dar conta da carência de vezes que abordei.
Uma das coisas que já falei é sobre a reserva da relação, só cabe aos dois. Não faltam motivos, até pq cada relação é própria, com características únicas.
Basta tirar algo de contexto e pronto, um novo cenário se cria, ainda mais lidando com tantas sutilezas e motivações, se cada ato tem um intuito que, na maioria das vezes, só o autor sabe, imagine então sob lentes distorcidas ou submetido a diversas versões?
Não que sempre haja intenção por trás disto, mas o fato de ter a ética norteando é justamente pra evitar "acidentes". 
Tudo bem até aqui, mas é analisando algumas situações que tudo vai ficando mais claro, a maneira com que se lida com a própria história, visto que uma história a dois não pode ser fracionada, ela pertence aos dois, boa ou ruim, não tem como separar sem que isto comprometa sua consistência e verdade. O bom disto é que, assim preservada, sempre permitirá aos dois descobrir novas faces, que só é possível pelo comprometimento, pela resistência, pela fidelidade à sua história.
A ética pode te colocar em algumas enrascadas, verdade, mas nada justifica que vc quebre a regra, suas verdades são suas, de mais ninguém, pronto. E quando falo suas verdades, falo da verdade a dois. Se tem alguém que pode trazer novos olhares é só quem viveu aquilo contigo, como se diz, o tempo tem sua sabedoria.
Certos eventos em nossa vida são como flores, um dia ela é sementinha, e fica lá, esperando as condições ideais pra florescer, e Dom planta sementinhas, mas nem sempre tem tempo de colher, se surgir uma aberração dali, talvez seja sinal que algo "traiu" as tais condições ideais, mas é um risco, não? Nem tudo segue um script, mas no fim, tudo revela o ambiente ao qual nos expomos, o que somos, e onde guardamos nossa ética.
Como eu disse no começo, me surpreende como costumamos esquecer a ética, falhamos vertiginosamente nisto. Mas não pq sejamos sem ética, é que nos distraímos, por vezes não entendemos, ficamos confusos, outras somos induzidos, sugestionados, manipulados... Mas em tantas outras vezes, agimos decididamente contra a ética, reconhecendo sua existência e optando por ignora-la.
Veja, não estou colocando aqui uma leitura radical sobre a ética, 8 ou 80, a ética flui num largo espaço de possibilidades, mas é a ausência dela que abre oportunidade pras mais variadas possibilidades de corrupção dos fatos, de história, do que somos e do que temos.
Algo vai se perder, é fato, junto com a ética.
Voltemos a história. Ela é única, própria, tem ambiente certo e condições ideias pra se desenvolver. Modifique somente uma coisinha, e os rumos podem mudar, não? Todo mundo passou por isto, certo? 
Uma história tb tem linguagem própria, ou seja, só é compreensível aos dois, concordam? As alegrias e tristezas resultam desse entendimento, dessa troca, dessa codificação, onde palavras, gestos e olhares preenchem todo o resto.
História tb tem memória, é fácil lembrar de coisas que passariam despercebidas a um mero observador, só quem vive a história, sabe da importância de cada coisa vista ou sentida, alguma dúvida?
História é, portanto, uma relação de confiança... E confiança é algo que define que, independe de qualquer coisa, mesmo que tudo acabe, aquilo que foi vivido pertence somente aos dois. E o que garante a preservação da "intimidade"? A ética.
Bonito, não? Perfeito, mas...
Quem resiste? Considerando que sementinhas foram plantadas, e cada uma delas só eram ou seriam compreendidas pelos dois, tem como um "estrangeiro" dar sentido àquilo tudo?
Eu já vi mentirem em nome da ética, e confesso que diante dos fatos, fiquei orgulhoso, pq certas habilidades de sobrevivência na selva que vivemos são fundamentais. Acima de tudo, a ética.
Se criássemos um banco de dados de histórias no meio, veríamos de maneira acachapante como histórias podem perder o sentido, como podem ser desconstruídas, como eventos tão valiosos perdem seu valor através de versões e mais versões...  Como o olhar que só cabe aos dois, quando "compartilhado" indevidamente, perde o encanto.
O pior é que muitas vezes estamos falando de lindas histórias, pq pode parecer que só histórias ruins passam por isto, mas até as mais lindas histórias são corrompidas, que pena que não saibamos cuidar de nossos bens mais preciosos...
Jamais se descuide com o que viveu, mesmo que não tenha terminado do seu agrado, o que viveu te mudou, te transformou, te fez crescer, te fez aprender, nada se desperdiça. Certamente vc se tornou alguém melhor, desde que não se permita ficar amargurando, remoendo...
Se estiver começando uma história agora com alguém, se aceitou compartilhar momentos e expectativas, se resolveu investir, confiar, em hipótese alguma falhe com isto, mesmo se já estiver no meio de uma história, jamais fuja da ética, só algo muito grotesco, ilegal, imoral pode justificar, ai sim, sem sombra de dúvidas, que quebre o cristal da confiança, de resto, se guarde, pq nas voltas da vida, sementinhas podem vingar e te oferecer novas oportunidades, novos entendimentos... A ética é guardiã de sua história e histórias estão sempre em andamento... A não ser que... o cristal se quebre...
Sua história deve ser mantida assim, sempre, SUA.

Emoções na vida de um Dom.

Vida de Dom é mesmo emocionante, não? Não a toa tanta gente quer entrar pro meio, se auto proclamando Dom.
Veja, de repente, vc tem subs se dizendo sua, fazendo relatos sobre as aventuras e sessões... Sem esforço, sem conquista, sem absolutamente nenhuma energia gasta, vc tem uma sub e uma história.
Pode até lamentar que não tenha vivido efetivamente uma linha sequer daquilo ali, mas pra que divulgar, não?
Um dos lados negativos é que nem sempre a tal sub tem "virtudes" que honram seu nome, mas vc pode argumentar que foi um deslize ou que era uma pedra sendo lapidada...
Bem vindas as subs de "gaveta". aquelas que te mantém na ativa, aquelas que constrói "lindas" histórias, desde que te dêem brecha pra vc tb usar a seu favor...
*:) feliz

Obs.: Se trata de uma realidade mas, antes que tirem conclusões, não, não tenho subs no momento, nem tive nos últimos meses...