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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A cópia.

Vira e mexe tomo conhecimento que um texto meu foi publicado no perfil ou blog de alguém, normalmente um dominador, sem que seja dada a devida autoria, ou seja, se passando como próprio autor.
Não deixa de ser uma experiência interessante visto que, por vias tortas, é um reconhecimento. Mas, convenhamos, é o cúmulo...
Não me surpreende, sabemos que é assim, é algo que compõe as estratégias dos falsos doms, alguns de meus textos (nunca copiados) denunciam isto e mais um pouco.
O que realmente me surpreende é tanta gente cair nessa armadilha pq, vejamos, vc até pode copiar um texto, assumir a autoria, mas como sustenta isto no dia a dia?
Me lembra um pouco algo que é explorado em histórias e publicidades, que é o cara que usa letras de músicas ou poesias pra seduzir as mulheres, na devida proporção, claro. O problema é ser coerente depois, sem a "capa" dos textos, é na conversa, é na exposição de idéias, é no trato, é na convicção que defende "suas idéias". Afinal, não tem repertório infinito que perdure uma mentira.
Num texto recente falo das imagens, o uso de belas imagens, sedutoras, coisa que os dois lados fazem muito, e cada vez mais vejo dominadores usando imagens que remetem mais a amantes do que propriamente dominantes.
Imagens, palavras bem colocadas, textos... Estamos realmente falando de Dominadores? Não te parece que são mais manhas de Casanovas do que de Doms? Será que só eu tenho visto isto?
Já falei tantas vezes que soa cansativo, mas é fácil se parecer um Dom, é fácil decorar alguns conceitos e repeti-los a exaustão, é fácil inventar um argumento pra acelerar sessões ou mesmo dispensar subs mais espertas... O difícil é se sustentar, é se manter, é continuar coerente e convicto das coisas que de fato acredita..., no fim, está nas mãos das subs... Falei de subs, não das que buscam amantes apimentados... 
Se tem algo que é cercado de recomendações, de todo tipo de alerta é o BDSM. Ainda assim, tem gente que entra tão sem noção... É despreparo de todos os lados, não diria que é uma ilusão, afinal, ninguém é induzido, ainda do lado de fora, a acreditar num mundo de facilidades e segurança. As pessoas realmente fazem de tudo pra ignorar os riscos, o tal de não dar ouvidos, ignorar, cegar pras evidências... Parece que tem algo de "comigo vai ser diferente", "eu sou esperta, sei me cuidar", "não vai acontecer comigo"...
Desarmadas, caem fácil nas mãos do dom sedutor, envolvente, com um avatar sexy, textos legais... Apesar de, estranhamente, não manter a mesma linha nas conversas, só elogiam, diz que é a sub mais promissora que ele já conheceu, que não precisa de aprendizado, que está pronta pra sessão amanhã, basta marcar e que tudo vai ser maravilho, inesquecível... Encantadas com um olhar tão "apurado", aceitam como verdades absolutas e só se dão conta, se é que se dão, quando é tarde.
Terá sorte aquela que for descartadas antes, com algum bom argumento, normalmente algo que passa a impressão de respeito à sub, de cuidado com ela. Mas, no fim, é só um "não quero te comer" ou medo de ser exposto quando encontra uma sub esperta demais...
Tem um certo cinismo nisto de usar meus textos, até editá-los tirando deles as partes não convenientes, pq boa parte de meus textos denunciam justamente este tipo...

É muito ruim a ponto das pessoas começarem a desacreditar do BDSM, falar dele como coisa do passado, falar de maneira saudosista ou em tom de tristeza por algo que não pôde vivenciar. Quem perde sempre será o BDSM e quem acredita nele, por isto devemos nos inquietar e combater o mal, pq ele vem se disseminando, corrompendo, deixando cada vez menos espaço pra um tecido saudável no meio.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Submissas x submissas.

Muito se critica as mulheres submissas, se propagaga uma visão de fraqueza, nulidade, etc. que é superficial e conveniente .
Bem, quem pratica sabe o qto corajosa é a sub, seja em suas atitudes, escolhas, entrega. Também não se nega o qto de qualidades pessoais são necessárias pra se compor uma bela sub.
Alguns usam como exemplo para seus argumentos os casos que ganham notoriedade policial, as histórias que fogem as corretas praticas BDSM e, como consequência, ganham publicidade nas diversas mídias.
Mas o que os mesmos críticos não incluem em suas "análises" é a submissão baunilha, as atitudes que se tornam negativas no ambiente profissional, onde a nulidade é muitas vezes efetiva, até estimulada por quem dela se beneficia, no ambiente pessoal, onde muitas mulheres são "reféns" de seus relacionamentos e estilos de vida.
Não que isto revele uma submissão mal conduzida ou decisões equivocadas de uma submissa., às vezes são meras imposições da vida cotidiana, mas que revelam fraqueza de fato, inseguranças, nulidades, fragilidades bem caracterizadas.
Não vou esgotar o tema aqui, até pq não caberiam numa única postagem, mas permite abrir uma discussão e reflexão sobre isto.
A submissa que decide servir, ter um Dono não é frágil, insegura, assustada, dependente (muito menos devemos alimentar estas características, como alguns oportunistas fazem, pq não é pressuposto BDSM)...
Estas características são comumente encontradas no dia a dia, em mulheres e homens que fazem escolhas confortáveis, que aceitam viver algo conveniente, sem riscos, muitas vezes abdicando da própria felicidade ou numa falsa felicidade.
Reféns de um modo de vida, reféns do medo, da carência, da dependência financeira, da falta de expectativa, até do amor e de tanta coisa que se tornam amarras na vida comum.
Mas não, o olhar crítico associa todas estas fraquezas à submissa, como se escolher ter um Dono, se abandonar na vontade do outro a fizesse um ser fraco, sem vida, totalmente nulo. Sabemos que não, mas é conveniente pregar isto. É preguiçoso pensar assim.
Qtas e qtas subs relatam este mesmo estilo de vida antes de se assumirem subs? Já se deram conta? Mas não é culpa exclusiva de suas submissões, isto é importante ressaltar.
Repito: essas características baunilhas não revelam de automático uma submissa.
Supor isto faz com quem muitas escolham o caminho do BDSM como salvação, quando não é, os inúmeros exemplos falam por si.
A realidade, já tratada aqui, é que a submissão baunilha é muito ruim, mas ao mesmo tempo é menosprezada, fingimos que não existe mas, muitas vezes, resulta de algo imposto, até violento.
Não dá pra confundir, não pra pra misturar.
Certamente não é saudável uma submissão assim, sem norte, diferente da boa submissão consensual, em relações bem desenvolvidas, com escolhas certas, afinadas.
Não caia na armadilha de confundir uma e outra. Não se envergonhe de ser uma sub, de ter feito a escolha, de aceitar se submeter, isto te faz forte, convicta, te faz capaz de coisas que uma pessoa comum nem chega perto de conseguir.
A superação envolvida na entrega, na confiança, na relação Dono e sub é rica, exuberante, onde ambos ganham e vivenciam experiências únicas, bem distante da pobreza da nulidade, da ausência do existir que muitas experimentam na vida baunilha.
Sub tem sim motivos pra se orgulhar, pra manter a cabeça erguida (exceto na presença do Dono), de se fazer respeitar, de não se permitir usar ou manipular (exceto pelo Dono), deve fazê-lo por si e, acima de tudo, por seu Senhor.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Uma Força...

Submissão, quando liberta, é uma força devoradora que cabe ao Dom controlar. Portanto, não algo que se estimule, mas que se Domine.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Formando uma sub.

Vamos dizer que o processo de aprendizado de uma sub envolve ir reduzindo ao essencial as zonas de tensão.
Qto mais confiante for e controlar certos elementos, mas foco a sub terá na sua entrega, na sua servidão.
É preciso, portanto, ganhar naturalidade em certas situações desfazendo os desconfortos que podem gerar, qto mais a vontade com certos aspectos típicos da submissão, melhor vão ser os sentidos e a sensibilidade do que realmente importa, consequentemente, mais plena será a entrega.
Como se consegue isto?
Experimentando, vivenciando, se colocando à prova.
Por menor que possa parecer determinados eventos, juntos, vários pequenos eventos se tornam uma barreira, e um a um, vamos desmontando.
Nada é gratuito, sem nexo, a experiência do Dom é cirúrgica ao identificar eventuais riscos, ameaças e na abordagem (como cura) amenizar ou corrigir liberando a sub para a essência de sua submissão: servir.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Imagens.

É fácil ser induzido por imagens maravilhosas. É fácil ser sugestionado a acreditar num mundo fictício através de imagens tão belas.
Não, não culpe o artista, mas culpe a leitura.
A beleza da arte BDSM não se trata da beleza dos corpos, das vestimentas, da composição de cenas. A beleza de fato está na submissão, na Dominação.
O que te encanta é aquela imagem que exala Dominação/submissão. A entrega, a confiança.
A arte busca a beleza, mas a beleza que vai além da beleza física, que é só meio pra se mostrar o principal.
Não resuma seu olhar ao corpo perfeito, a bunda arredondada, aos seios voluptuosos, as cordas bem amarradas, ao cenário bem cuidado, ao sexo extremo... Busque a submissão, busque a Dominação.
Busque a entrega verdadeira, a paz da entrega, a serenidade no Dominar. Busque o capricho de cada gesto, a elegância da postura, a sensualidade do todo.
Pq é a sensualidade que transpira na relação, não a vulgaridade.
A arte e seus artistas buscam transmitir a essência de uma cena, em geral, as mais apreciadas mostram a relação como de fato ela deve ser, plena, bela e serena. Mesmo diante da maior intensidade, a serenidade.
Repito, não se deixe levar por corpos bonitos e voluptuosos, busque sempre a Dominação/submissão. Todos nós temos um olhar apurado e refinado sobre ela, natural que quando a traduzimos em forma de arte, ela fique tão perfeita e bela.

As Regras.

Costumo dizer que o BDSM tem regras perfeitas, na sua simplicidade, são abrangentes e oferecem total segurança aos membros.
Mas tb fornecem a oportunidade de vivenciar e evoluir algo que de maneira solta, seria perigoso.
Veja, estamos falando do BDSM na sua essência, praticado por gente que realmente acredita e é subserviente ou Dominante, excluindo da leitura os aventureiros.
Reduzidos então a um pequeno grupo, vamos a devida análise.
Falamos de meio, o meio BDSM, mas quero falar do BDSM como meio para se atingir um objetivo.
É certo que com o passar do tempo, a experiência adquirida, nos tornamos mais fluídos, mais intuitivos. Não precisamos de alertas, alarmes pra saber quando estamos próximos de ultrapassar um limite, transitamos de olhos fechados, a comunicação é mais direta e objetiva, muitas vezes por olhar... Evoluímos, nos aprimoramos. 
Graças às regras. 
Em tudo na vida passamos por aprendizado, por ambientes seguros, por testes, experimentos, laboratórios que vão nos ajudando a elevar o nível. O BDSM tb te oferece esta oportunidade.
Quem tem a sensibilidade de aprender, de absorver logo terá desenvoltura, agirá intuitivamente nas diversas situação, estará num nível acima.
Então surge um problema. Como se satisfazer?
Ninguém deixa de ser Dom ou sub, mas precisamos da dose certa de alimento, sem isto... 
Chega um certo ponto que as necessidades são maiores, são melhores... Não que isto cause inquietude, afinal, se chegou a este ponto sinal que viveu momentos maravilhosos até ali, ninguém chega tão longe com uma trajetória confusa, cheia de tropeços, é a trajetória linear e segura que te leva ao ponto mais alto.
Satisfeito com sua trajetória, vc se permite esperar... É o segredo. Sem ânsia, sem obsessões, vc espera. O complemento se dá com um parceiro de mesmo nível, que tenha adquirido em sua trajetória a fluidez e confiança necessária para a maior das relações.
As regras estarão lá, a confiança estará lá, o acordo estará lá... Mas não mais em forma de placas, alertas luminosos, sons estridentes... Vc só transita, sabendo onde fica a curva, quando é hora de ir em frente, de recuar... Ambos tem a sensibilidade apurada pra caminhada. Apurada e desenvolvida por anos de experiência, vivência BDSM.
Vc não deixa o BDSM, vc só entra no salão nobre dele...
Seja paciente, se desenvolva, aprenda, siga as regras até que elas entrem na sua corrente sanguínea. Com o tempo vc saberá que é hora de se lançar em vôos mais altos...

sábado, 17 de agosto de 2013

Frase da semana.

A submissão é como água, quando livre, alcança todos os lugares... O Dominador é aquele que concentra toda a água, toda sua submissão, te permitindo ser livre e desenvolta no resto de sua vida.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Do lado de fora...

É inegável que existe um trânsito intenso entre a vida baunilha e o BDSM, ambos se interferem, se modificam, agregam ou separam, nada será como antes depois de aderir ao BDSM e suas práticas.
Aqui no blog costumo falar de um trânsito irregular, de gente em busca de aventuras, de emoções ou até mesmo refúgio, nas entrelinhas tb falo dos que preferem olhar de longe, sem entrar pro meio.
Pois bem, esta postagem pretende dar uma pincelada no assunto, visto que tanto a dominação quanto a submissão fazem parte de nossa natureza, tantas e tantas pessoas convivem com isto no seu dia a dia, pq então não aderem ao BDSM?
Evidente que ter certa natureza não nos obriga a aderir a nada, como uma religião na qual acreditamos que não precisa de frequência a templo pra se provar.
Alguns, sortudos, conseguem encontrar isto na sua vida baunilha, de maneira equilibrada, um 24 x 7 saudável, onde todos os lados se encontram e se completam, muitos de tal maneira que nem passa pela cabeça deles que exista um tal BDSM.
Por coerência, lembro que em outras postagens coloco em dúvida a sanidade de muitas relações ditas 24 x 7, não dá pra fazer uma mistureba que seja conveniente pra ambos (ou pra um só) e pronto, dei nome e posso propagar que vivo aquilo. Dai surgiu as figuras do namoradom, maridom e etc. É recomendável olhar com cuidado pra isto, até mesmo pra quem acha que vive isto, até pq, a sanidade de qualquer membro do BDSM passa por uma vida baunilha arejada.
Retomando o tema principal, existem sim muitas relações bem sucedidas que equilibram bem as diversas naturezas, não é um ritual, uma liturgia que define se é ou não BDSM, mas o encontro de um Dominante e sua sub.
Mas a maioria não tem esta sorte, a maioria não tem sequer a oportunidade, vivem relacionamentos onde, muitas vezes, o parceiro é de igual natureza ou, quando tem, é tão amena que não causa frisson.
Mas ter esta inquietude basta? 
Existe um mundo lá fora, um mundo livre, de trabalho e família, de desafios, de amores e desamores, de sensações, desejos, expectativas, objetivos, projetos, decepções, etc... É o mundo real. O BDSM, acreditem, é só parte disto. Nunca o inverso, não é o BDSM que concede espaço ao mundo baunilha, mas o contrário.
E é a impossibilidade ou capacidade de fazer esta concessão que impede tanta gente de vir pro BDSM.
Não é fácil abrir uma porta, criar um espaço pra se dedicar. Dá medo, é algo desconhecido, abala estruturas duramente construídas, mexe com sentimentos, com convicções, envolve velhos amores, novos...
Por mais forte que seja sua natureza, por vezes ela deve ficar quietinha lá, principalmente quando se tem uma vida tão bem resolvida e construída. BDSM nunca é fuga.
A sabedoria e o diálogo podem resolver algumas questões, saciar algumas necessidades, encontrar maneiras... Mas não devemos confrontar coisas quando bem estabelecidas, a felicidade e realização exigem sacrifícios.
Chegamos a palavra chave, sacrifício. Pq existe um grupo tão grande qto que não é feliz, que anda inquieto, que não anda satisfeito com a vida que leva e como leva, que não encontra respostas, que anda vasculhando recônditos da alma em busca delas. Respostas que encontram no BDSM, mas... Pq não dão o salto necessário?
A resposta é praticamente a mesma, existe uma vida que mal ou bem, é sua, fruto de anos de dedicação e envolvimento. 
Mas não é feliz. É a diferença.
A balança oscila, dúvidas, inseguranças e medos assombram. O BDSM, como muitas coisas na vida, é a arte do encontro (livre adaptação do poeta)... Certos saltos só podem ser dados na companhia certa. E está fácil achar esta companhia? Está fácil encontrar sanidade no meio?
Uma das últimas postagem falei de barreiras, agora falo de algo que vem antes, a decisão de assumir sua natureza.
Envolve decisões e escolhas, e é o momento crucial, pq ali vc pode escolher continuar vivendo sua vida baunilha, lidando com a inquietude; pode aderir mas escolher, conscientemente, paliativos, relações onde não haja plenitude, só amostras do que gosta; pode mentir pra si mesmo e ficar aquém do que pode e quer; pode se considerar incompetente, incapaz, sem mérito, não digna disto ou daquilo e tomar decisões equivocadas; pode se achar o último biscoito do pacote e querer abraçar muito mais do que é capaz de suportar; pode querer criar seu próprio mundinho com regras próprias que te dão segurança e esperar que alguém aceite que assim seja; pode inventar no parceiro baunilha o personagem que supostamente é digno de sua entrega, etc...
Em tese, o BDSM pleno se dá quando ocorre o encontro de duas pessoas que compartilham mesmos desejos, expectativas, vontades e, no decorrer da relação, se aprofundem no outro, evoluam e atinjam juntos a plenitude da relação. Em tese este encontro ocorre de maneira aleatória, imprevisível, até surpreendente. Em tese vc deve manter a mente aberta pra se permitir este encontro. Consequentemente, vc vai dar muita cabeçada, cometer muitos erros, fazer escolhas erradas mas que vão te amadurecendo, afinando a sensibilidade, apurando o faro na busca.
Mas quem quer dar cabeçada? Quem quer enfrentar uma caminhada de aprendizado? Muitos querem segurança, muitos tem pressa, muitos se acham acima do bem e do mal e/ou merecedores da sorte eterna.
Usando uma imagem, quando vc para na frente do portão da casa imaginária do BDSM, a decisão de entrar envolve muita coisa, principalmente sua disposição. Sua disposição pode, por exemplo, achar que o porteiro é o cara certo, escolha conveniente. Sua disposição pode te fazer girar nos calcanhares e voltar pra casa. Sua disposição pode te fazer aceitar um rostinho conhecido que deu de cara assim que entrou. Sua disposição pode já ter feito a escolha antes na figura do acompanhante que entrará contigo. Sua disposição pode se contentar com o primeiro encontro razoavelmente bem sucedido. Sua disposição pode te fazer decidir pela aparência, pelo que mais se aprece com o que busca. Ou sua disposição pode te dar boas doses de paciência e filtro pra aceitar somente aquilo que te parece sério, sólido e possível de te complementar.
Claro que mesmo por caminhos tortos as coisas podem acontecer da melhor maneira. O inverso tb é verdadeiro. Nada assegura que seus objetivos sejam atingidos, mas nos equívocos e desacertos já vai adquirindo base pra vôos maiores.
Vejam que estou falando de gente que tem a real natureza, mas nem sempre bem resolvidas qto a isto. Gente que ainda tateia em busca de segurança. Gente que ainda olha pra vida baunilha e sente medo de ter mais perdas que ganhos.
Não podemos negar que o BDSM deve compor de maneira equilibrada algo bem maior que é nossa vida, não pode ser causa de desajuste, mas tb não podemos ignorar que bem feito, dentro dos conceitos mais puros, é plenamente capaz de compor sua vida, não existe nada que te impeça de ser feliz, de atingir seus limites e capacidades, basta que aceite sua natureza e se empregue na busca de seus objetivos se doando, encontrando seu parceiro de caminhada, buscando cumplicidade, confiança, relações saudáveis, consensuais...
É assustador parar na frente do portão, passamos horas, dias, semanas só olhando pra ele, buscando força pra passar por ele. Tb não é um caminho sem volta, se por um lado não é um clube de prazeres, tb não é uma prisão. Sempre falo que o Dom deve ser capaz de te levar até os lugares mais ocultos de sua natureza mas, acima de tudo, te trazer de volta.
É certo que a maioria das verdadeiras submissas e dos verdadeiros Doms continuam ou estão na vida baunilha, longe do meio. Meio do qual nunca fizeram parte ou já se afastaram. Não é fácil se dedicar, se envolver, vivenciar o BDSM verdadeiro, ele exige responsabilidade, doação, comprometimento e nem todo mundo está disposto a isto. É tentador buscar paliativos, é fácil nunca ter que se desafiar vivendo relações sob medida. 
Muitos que resolvem passar pelo portão dão de cara com oportunistas, como propagandas de panfletos distribuídos no comércio, é desanimador. Hoje, muito pouco de verdadeiro BDSM é encontrado, o legítimo BDSM tem seus meios de sobrevivência, sua reserva, seu ambiente propicio. 
Entrar, lidar com as propagandas enganosas, com a tentação da relação acomodada e conveniente, fazer escolhas, buscar seu complemento verdadeiro acaba servindo de filtro pra saber quem está disposto, quem é verdadeiramente BDSM, pq o resultado depura, nos permite vivenciar algo muito especial.
Se vc está ai diante do portão, se vc passou por ele mas ainda te falta coragem pra ter ambições mais elevadas, se desconfia da sua capacidade, mas se o que te trouxe até aqui é uma natureza legítima, não desista, seja perseverante pq valerá a pena.



Fórum
Não sei qtos leitores já viram meu fórum, um espaço que criei pra discutir o BDSM, um espaço pras pessoas se manifestarem, discutirem, até comentarem as postagens. Não é algo ambicioso e tive o cuidado de colocar algumas condicionantes para participarem, evitando que perca o sentido da boa discussão. Todos são bem vindos, mas reforço que o intuito é tão somente discutir o BDSM, dentro de um ambiente agradável e respeitoso.
Basta acessar pelo link no alto da página, à direita.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Barreiras de uma sub.

Sabe qual é o grande diferencial entre as subs que se realizam e as que ainda não alcançaram seus sonhos? Tem uma barreirinha que elas conseguiram superar. Todas elas tiveram uma barreira inicial, que travava, limitava... Um desconforto, um medo. Mas tiveram coragem pra derrubar a barreira, adquiriram confiança e conforto pra servir.
Em cada história de sucesso vc vê um "conforto" em servir, não que signifique facilidade, conforto significa que aceitaram seu papel, aceitaram o papel do Dono a tal ponto que não queriam outra coisa além daquilo.
A caminhada inicial, de formação da sub, quase se resume a isto, vencer a barreira e deixar fluir.
Tem o que se aprende, claro, mas só se aprende, só se absorve quando se permite, quando não existe filtro, barreira impedindo.
Em cada sub que se torna referência, exemplo se destaca a fluidez da submissão, pq quando existe fluidez, tudo é natural, acaba convergindo para o que foi ensinado.
Se vc acha que uma sub lembra-se do que foi ensinado no momento exato que recebe uma ordem, se engana, ela não é tomada por pensamentos do tipo: sub deve fazer isto, sub não deve questionar, sub não deve argumentar, etc... Estes pensamentos são as barreiras, limitadores. No momento exato que a sub recebe uma ordem ela só tem um pensamento: obedecer da melhor maneira possível, fazer o seu melhor.
Evidentemente está implícito que a ordem respeita a consensualidade, caso contrário, toda e qualquer reação contrária é plenamente justificada.

Existe uma frase comum no meio: a submissão é libertadora.
Pq é quando vc consegue fazer tudo que deseja e desejou, sem medo. Observe a qtde de desejos, vontades, expectativas que levam alguém a se descobrir submissa, imagina a alegria de poder realizar, fazer sem medo, sem pudor, sem se sentir julgada. É a liberdade de ser o que de fato vc é.
Mas nenhuma sub consegue isso de maneira fácil, todas enfrentaram suas barreiras, provavelmente todas pensaram em desistir.
Fluir significa que se tem a percepção de que é sua submissão que vem na frente, nada mais interfere, é isto que agrada ao Dono, é isto que a destaca, que a torna atraente, especial, orgulho de seu Senhor. Nenhum outro artifício vale mais que a própria submissão.

O entendimento da submissão envolve perceber que não precisa agradar com roupas, com erotismo, com apelo de qualquer espécie, exceto quando desejo do Dono, compõe o entendimento de que se sua submissão é natural e intuitiva, isto basta. É uma das barreiras a superar, entender o que de fato é importante pra uma sub e se sentir capaz de se doar neste objetivo, na entrega.
Portanto, não é no aprendizado que se falha, não existe um caminho longo de aprendizado, existe sim uma dificuldade em derrubar a barreira, se libertar.
Ser sub é confiar, deixar tudo na mão do Dono. Se vc não tem conseguido isso, se vc faz as coisas sempre com uma ressalva, sinal que a informação, antes de ser recebida por vc, passa pela barreira, sofre um sobressalto, um filtro, não flui.
Tudo que é conversado, tratado entre Dom e sub serve como norte, mas é quando começa a ser natural, mais próxima estará de ser a sub que deseja.
A barreira envolve história de vida, formação, conceitos... Não é fácil se libertar de bagagem tão grande, de tantos medos, receios. Mas servir é saltar no escuro, caminhar sem medo.
Existe apenas um pequeno detalhe... Ou imenso detalhe... Superada a barreira, que tipo de sub se revela?
Cabe ao Dom olhar além da barreira. Como quando olhamos por cima do muro pra ver como é uma casa, ou olhamos através das grades e cercas. Vc não vê o muro, a grade, a cerca, vc vê o que fica por trás. Buscamos onde dorme a sub, tentamos ver que tipo de sub é. A habilidade de um Dom começa a ser medida ai, na capacidade que tem de enxergar a sub, de acertar na leitura. Pode errar e perder oportunidades, pode acabar comprando um problema, mas pode acertar e encontrar uma bela sub.

O sucesso dos relacionamentos passa pelo sucesso da leitura, do entendimento, da afinidade, da cumplicidade e, fundamentalmente, da confiança.


Se uma sub dorme em vc, o que é preciso pra ela agir com tamanha liberdade? Que vc a permita. O baunilhismo costuma ser uma barreira, uma barreira composta de histórias, medos, coisas que ouviu, que aprendeu... Tem de tudo ali, normalmente essa barreira impede não só a sub, mas te impede de ser feliz. Por isto a sub ajuda a baunilha e vice versa, pq se vc consegue libertar a sub, vc consegue libertar a mulher.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Lavagem Cerebral?

A Dominação não é uma lavagem cerebral, não se pega uma sub e se molda diminuindo seu tamanho pra sua conveniência. A DP deve servir sempre ao propósito dos dois envolvidos: Dom e sub.
Esta pequenez de manipular a sub pra que ela tenha o tamanho que vc pode dar conta é de uma imbecilidade sem tamanho.
Não é fácil formar parcerias dentro do meio, encontrar afinidade, cumplicidade, confiança. Mas é preciso trabalhar pra conseguir, não seguir atalhos, aceitar qualquer coisa, ser ordinário forçando que a sub atenda somente suas expectativas sem que ela tenha ganhos dentro da relação.
É comum provocar insegurança na sub, dominui-la, reduzi-la ao nada só pra poder dar conta, desde quando isto qualifica alguém como Dom?
O Dom surge naturalmente, não é treinado, não tem escola, não tem Mestre. A vida prepara o Dom. Vivência, experiência, temperamento, força mental... São inerentes...
Ninguém segue um cara fraco, inseguro, medroso. A história está recheada disto, os fracos caem, são esmagados pelos que devia liderar.
Vc não pode usar a dominação pra "curar" sua fragilidade enquanto baunilha, compensar sua insignificância baunilha.
Se vc está nas mãos de um idiota, corre o risco de se perder, ainda mais se for Dominação Psico.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Construindo relacionamentos BDSM.

Era uma vez, na época em que os animais falavam, três porquinhos que viviam felizes e despreocupados na casa da mãe.
A mãe era ótima, cozinhava, passava e fazia tudo pelos filhos. Porém, dois dos filhos não a ajudavam em nada e o terceiro sofria em ver sua mãe trabalhando sem parar.
Certo dia, a mãe chamou os porquinhos e disse:
__Queridos filhos, vocês já estão bem crescidos. Já é hora de terem mais responsabilidades para isso, é bom morarem sozinhos.
A mãe então preparou um lanche reforçado para seus filhos e dividiu entre os três suas economias para que pudessem comprar material e construírem uma casa.
Estava um bonito dia, ensolarado e brilhante. A mãe porca despediu-se dos seus filhos:
__Cuidem-se! Sejam sempre unidos! - desejou a mãe.
Os três porquinhos, então, partiram pela floresta em busca de um bom lugar para construírem a casa. Porém, no caminho começaram a discordar com relação ao material que usariam para construir o novo lar.
Cada porquinho queria usar um material diferente.
O primeiro porquinho, um dos preguiçosos foi logo dizendo:
__ Não quero ter muito trabalho! Dá para construir uma boa casa com um monte de palha e ainda sobra dinheiro para comprar outras coisas.
O porquinho mais sábio advertiu:
__ Uma casa de palha não é nada segura.
O outro porquinho preguiçoso, o irmão do meio, também deu seu palpite:
__ Prefiro uma casa de madeira, é mais resistente e muito prática. Quero ter muito tempo para descansar e brincar.
__ Uma casa toda de madeira também não é segura - comentou o mais velho- Como você vai se proteger do frio? E se um lobo aparecer, como vai se proteger?
__ Eu nunca vi um lobo por essas bandas e, se fizer frio, acendo uma fogueira para me aquecer! - respondeu o irmão do meio- E você, o que pretende fazer, vai brincar conosco depois da construção da casa?
__Já que cada um vai fazer uma casa, eu farei uma casa de tijolos, que é resistente. Só quando acabar é que poderei brincar. – Respondeu o mais velho.
O porquinho mais velho, o trabalhador, pensava na segurança e no conforto do novo lar.
Os irmãos mais novos preocupavam-se em não gastar tempo trabalhando.
__Não vamos enfrentar nenhum perigo para ter a necessidade de construir uma casa resistente. - Disse um dos preguiçosos.
Cada porquinho escolheu um canto da floresta para construir as respectivas casas. Contudo, as casas seriam próximas.
O Porquinho da casa de palha, comprou a palha e em poucos minutos construiu sua morada. Já estava descansando quando o irmão do meio, que havia construído a casa de madeira chegou chamando-o para ir ver a sua casa.
Ainda era manhã quando os dois porquinhos se dirigiram para a casa do porquinho mais velho, que construía com tijolos sua morada.
__Nossa! Você ainda não acabou! Não está nem na metade! Nós agora vamos almoçar e depois brincar. – disse irônico, o porquinho do meio.
O porquinho mais velho porém não ligou para os comentários, nem par a as risadinhas, continuou a trabalhar, preparava o cimento e montava as paredes de tijolos. Após três dias de trabalho intenso, a casa de tijolos estava pronta, e era linda!
Os dias foram passando, até que um lobo percebeu que havia porquinhos morando naquela parte da floresta. O Lobo sentiu sua barriga roncar de fome, só pensava em comer os porquinhos.
Foi então bater na porta do porquinho mais novo, o da casa de palha. O porquinho antes de abrir a porta olhou pela janela e avistando o lobo começou a tremer de medo.
O Lobo bateu mais uma vez, o porquinho então, resolveu tentar intimidar o lobo:
__ Vá embora! Só abrirei a porta para o meu pai, o grande leão!- mentiu o porquinho cheio de medo.
__ Leão é? Não sabia que leão era pai de porquinho. Abra já essa porta. – Disse o lobo com um grito assustador.
O porquinho continuou quieto, tremendo de medo.
__Se você não abrir por bem, abrirei à força. Eu ou soprar, vou soprar muito forte e sua casa irá voar.
O porquinho ficou desesperado, mas continuou resistindo. Até que o lobo soprou um a vez e nada aconteceu, soprou novamente e da palha da casinha nada restou, a casa voou pelos ares. O porquinho desesperado correu em direção à casinha de madeira do seu irmão.
O lobo correu atrás.
Chagando lá, o irmão do meio estava sentado na varanda da casinha.
__Corre, corre entra dentro da casa! O lobo vem vindo! – gritou desesperado, correndo o porquinho mais novo.
Os dois porquinhos entraram bem a tempo na casa, o lobo chegou logo atrás batendo com força na porta.
Os porquinhos tremiam de medo. O lobo então bateu na porta dizendo:
__Porquinhos, deixem eu entrar só um pouquinho! __ De forma alguma Seu Lobo, vá embora e nos deixe em paz.- disseram os porquinhos.
__ Então eu vou soprar e soprar e farei a casinha voar. O lobo então furioso e esfomeado, encheu o peito de ar e soprou forte a casinha de madeira que não agüentou e caiu.
Os porquinhos aproveitaram a falta de fôlego do lobo e correram para a casinha do irmão mais velho.
Chegando lá pediram ajuda ao mesmo.
__Entrem, deixem esse lobo comigo!- disse confiante o porquinho mais velho.
Logo o lobo chegou e tornou a atormentá-los:
__ Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar, é só um pouquinho!
__Pode esperar sentado seu lobo mentiroso.- respondeu o porquinho mais velho.
__ Já que é assim, preparem-se para correr. Essa casa em poucos minutos irá voar! O lobo encheu seus pulmões de ar e soprou a casinha de tijolos que nada sofreu.
Soprou novamente mais forte e nada.
Resolveu então se jogar contra a casa na tentativa de derrubá-la. Mas nada abalava a sólida casa.
O lobo resolveu então voltar para a sua toca e descansar até o dia seguinte.
Os porquinhos assistiram a tudo pela janela do andar superior da casa. Os dois mais novos comemoraram quando perceberam que o lobo foi embora.
__ Calma , não comemorem ainda! Esse lobo é muito esperto, ele não desistirá antes de aprende ruma lição.- Advertiu o porquinho mais velho.
No dia seguinte bem cedo o lobo estava de volta à casa de tijolos. Disfarçado de vendedor de frutas.
__ Quem quer comprar frutas fresquinhas?- gritava o lobo se aproximando da casa de tijolos.
Os dois porquinhos mais novos ficaram com muita vontade de comer maçãs e iam abrir a porta quando o irmão mais velho entrou na frente deles e disse: -__ Nunca passou ninguém vendendo nada por aqui antes, não é suspeito que na manhã seguinte do aparecimento do lobo, surja um vendedor?
Os irmãos acreditaram que era realmente um vendedor, mas resolveram esperar mais um pouco.
O lobo disfarçado bateu novamente na porta e perguntou:
__ Frutas fresquinhas, quem vai querer?
Os porquinhos responderam:
__ Não, obrigado.
O lobo insistiu:
Tome peguem três sem pagar nada, é um presente.
__ Muito obrigado, mas não queremos, temos muitas frutas aqui.
O lobo furioso se revelou:
__ Abram logo, poupo um de vocês!
Os porquinhos nada responderam e ficaram aliviados por não terem caído na mentira do falso vendedor.
De repente ouviram um barulho no teto. O lobo havia encostado uma escada e estava subindo no telhado.
Imediatamente o porquinho mais velho aumentou o fogo da lareira, na qual cozinhavam uma sopa de legumes.
O lobo se jogou dentro da chaminé, na intenção de surpreender os porquinho entrando pela lareira. Foi quando ele caiu bem dentro do caldeirão de sopa fervendo.
__AUUUUUUU!- Uivou o lobo de dor, saiu correndo em disparada em direção à porta e nunca mais foi visto por aquelas terras.
Os três porquinhos, pois, decidiram morar juntos daquele dia em diante. Os mais novos concordaram que precisavam trabalhar além de descansar e brincar.
Pouco tempo depois, a mãe dos porquinhos não agüentando as saudades, foi morar com os filhos.
Todos viveram felizes e em harmonia na linda casinha de tijolos.
 
 
 
Uma relação, qualquer que seja, deve ter uma fortaleza interna, mesmo quando ameaçada, mas sempre, não importa o cenário externo, nada de fora pode enfraquecer o relacionamento, invadir.
No BDSM, se mede a qualidade justamente ai, na capacidade que os dois tem, juntos, de lidar com o que vem de fora, como respondem, reagem, etc...
Pode haver mar revolto, tempestade, nevoeiro, o que for... mas o cenário interno deve ser de equilibrio, serenidade, força... É assim que os relacionamentos avançam, crescem. Não aos trancos e barrancos.
Natural osiclar, eventualmente se destabilizar, mas logo se recompõe o centro, se restabelece a verdade.
O BDSM, a Dominação Psicológica é um meio de crescimento pessoal, de maturidade, de evolução. Fácil se perceber quando temos algo de valor em mãos, basta ver o quão forte é sua construção.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O fórum.

Estou abrindo um novo canal de diálogo e discussão, um fórum dentro do blog onde todos serão bem vindos.
Como o intuito é manter a cordialidade e permitir a boa conversa, buscarei administrar de modo que toda e qualquer inconveniência seja tratada da maneira adequada.
Tb não estou disposto a estimular egocentrismos, exibicionismos de qualquer espécie, como eu disse, é lugar para discutir o BDSM.
Crescemos e evoluímos através do diálogo, da boa discussão, idéias só tendem a se aprimorar quando se permite o novo, a reflexão, a divergência, a curiosidade, a argumentação.
Para quem aprecia o lado agradável da boa conversa, sejam bem vindos, participem.
O fórum está disponível na parte superior a direita, entrem e fiquem a vontade.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Era do Marketing.

É assustador ver a quantas anda o BDSM, agora com novas práticas, não de dominação, mas de mercado.
Já era um problema ter tanta gente se dizendo membro, agora "evoluímos" pra propaganda rasgada e escancarada.
Promessas então, nossa, tem dom garantido viagem à lua, claro, sob a módica quantia de...
Cada vez mais aquilo que era condenável vai se tornando uma constante, e cada vez mais o bom e velho BDSM fica fragilizado, encoberto de tal modo que fica difícil distinguir, saber o que é verdadeiro ou falso.
O que alguém que chega e observa de longe vai constatar? Dom propagandeando seus grandes feitos, fazendo promessas com garantias através de folders, banners, cobranças por boleto, cartão, etc...
Só pelo lado da propagando temos uma aula de "mercado", temos dom pra todo tipo de preferência, antes era o dom fofinho, aquele que faz poemas dedicados à amada, comprava presentes, floreia para encantar sua vítima. Tinha o dom profissional, cobrava por serviços prestados, sem garantia de seu dinheiro de volta. Tinha o dom sexta feira 13, prometia horrores, verdadeiras noites de terror, tudo sob o mais alto nível de segurança.
Agora temos o dom esóterico, promete vaigens espirituais pra dentro do seu ser (sei por onde ele vai entrar). Temos o dom fim do mundo, aproveite antes que acabe. Tem tb o dom montanha russa, espirais intermináveis de emoção e gozo. E o dom líder de gangue? Vai só juntando sua tropinha. Tem o dom paz celestial, nele vc vai encontrar toda paz que procura (me lembra Raul Seixas com "meu cajado vai te purificar").
A lista é enorme e não para de crescer mas, como diz a velha frase, eles estão certos, errados estão quem lhes dá apoio e existência.
Como tudo se banalizou, parece que esta nova onda vem reforçada pelo "50 tons de cinza", talvez eu precise ler.
Quando se contar a história do BDSM, será que contarão que nos primórdios isto era coisa séria? De gente que tinha a natureza, se respeitava, que a entrega era verdadeira, que as pessoas sentiam prazer de fato, que não eram fugas, que não erámos regidos pelas leis do mercado, que era preciso ter estrutura pra lidar, que não bastava parecer, era preciso ser?
Me vejo com um neto no colo contando como era bom o velho BDSM e ele fique surpreso como as coisas de fato eram. Ou talvez ache antiquado... Parece que isto já começa a acontecer.