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domingo, 7 de outubro de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fetiches

Existe um certo preconceito contra os fetiches, como se fetiche fosse para os fracos.
Na realidade, o problema nunca esteve no fetiche e sim na confusão que se faz que leva muita gente a se embrenhar no BDSM em busca de realização.
Mas veja, a grosso modo, o que difere BDSM de fetiche é a relação continuada e dedicada, enquanto em um vc se entrega de maneira prolongada, o outro tem o tempo (consensual) de acontecer.
Claro que o fetiche está impregnado em todas as relações, inclusive BDSM. Apesar do núcleo da relação ser algo bem definido, nela cabe alguns bônus que só incrementam, o fetiche incluído.
O fetiche, portanto, não deve ser diminuído, ao contrário, quando do tamanho certo e bem realizado, só mostra a maturidade dos envolvidos.
Um relacionamento baunilha onde os fetiches fazem parte, esquentam a relação e são tratados de maneira aberta só revela a existência de duas pessoas bem resolvidas, no fim, não é este o ponto alto da relação? Se permitir, se encontrar nela?
Em hipótese alguma deve ser considerado algo menor, seus praticantes devem ser diminuídos, justamente pq buscamos respeito por aceitarmos e lidarmos com o que somos, pq então discriminar os fetichistas?
O fetiche tem seu espaço, os praticantes de BDSM tem o seu, por vezes se confundem, se misturam, mas no fim, são individualizados.
O que de fato é ruim é quando vc, indivíduo, por confusão, medo, aventura acaba se envolvendo do lado errado da coisa.
Uma pessoa com forte natureza BDSM que tenta se encontrar na pratica constante do fetiche, óbviamente não pode ficar satisfeita. Um fetichista tentando incorporar as exigências e cobranças do BDSM, idem.
O fetiche, como tudo, deve ser bem tratado, ter o tamanho certo, a lida certa. Sendo assim só tem a acrescentar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Dominação Baunilha.

Todo mundo sabe que antes de descobrir o BDSM, vc passa por fases de seu auto conhecimento, de auto descoberta sobre seus gostos, desejos e natureza.
Muitas vezes, por falta de coragem, vc fica resguardando, reprimindo isto na vida baunilha.
Tb sabemos como é ruim não saber dosar, de equilibrar as coisas deixando a vida baunilha se contaminar.
Mas poucas vezes refletimos sobre como isto afeta os "dominadores".
É preciso olhar com cuidado pra não se deixar confundir.
Nem todo mundo que se passa por "dominador" no dia a dia é de fato um Dominador. Qts usam de arrogância e autoritarismo para esconder sua insegurança, seus medos e fraquezas?
Considerando que um Dominador deve ser bem resolvido, ciente de sua condição e de sua autoridade, alguém que usa máscara parecida não pode ser considerado como tal.
Gritar, gesticular, se impor na força, promover o medo, tentar criar uma imagem que não condiz com sua realidade são artifícios que não podem induzir ao erro de avaliação, não existe ali um Dominador.
Ao contrário, isto depõe contra, não é digno, elegante, refinado como um Dominador deve ser.
Começa pelo fato de um Dominador ter autoridade, não ser autoritário. A Dominação se impõe naturalmente, flui, não é imposta via malabarismos. Como se diz: Dominador não dá carteirada.
Pode até ser que alguns apreciem, se excitem, mas isto só revelará a própria condição de submissão, não de reconhecimento de que ali tem um Dom.
Este não pode migrar pro BDSM, se incorporar, ser aceito como tal.
Mas, enquanto houverem os que os reconheçam assim, assim serão.
Isto não vale pra todo o BDSM? Basta ser reconhecido como tal pra fazer parte? Correndo o risco de errar na leitura e tal?
Mas tudo isto tem uma boa razão de ser, a evolução.
Mesmo por caminhos tortos, vc pode aprender, evoluir e acabar descobrindo sua real natureza, sem subterfúgios.
Mas o falso, o fake não dura, pode enganar por algum tempo, mas jamais por todo o tempo.
O verdadeiro Dominador se revela em pequenos gestos, em atitudes, por sua formação e conduta. Logo os contornos de um Dominador se revelam, se ele vai se tornar um Dom ou permanecer em sua vida baunilha, é outra história, o importante é reconhecer sua real natureza, não se confundir e nem se deixar induzir.
Observem a história, o que difere os grandes lideres dos grandes ditadores. Observe que um desperta admiração, veneração enquanto os outros são marcados pelo medo que provocam.
Em que mãos vc confiaria sua vida? Com quem vc compartilharia seus desejos? A quem vc se entregaria?
É bom cuidar pra não trocar joio por trigo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A Evolução da sub.

Como diz o ditado, ninguém nasce sabendo, o que se aprende depende muito de como vc aproveita a caminhada.
A trajetória de uma sub psico pode enriquecê-la ou não, tudo depende de como fará suas leituras, escolhas, etc...
O primeiro passo, este sim definitivo pro seu sucesso, é se reconhecer sub, observe que se reconhecer é diferente de se achar sub.
A coragem necessária pra se reconhecer e, em seguida, buscar meios para se realizar como sub é fundamental pro que virá, erros e acertos, alegrias e tristezas, momentos de insegurança e risco, realizações e fracassos, tudo vai moldando a sub...
É bom lembrar que a sub deve buscar aquilo e aquele com quem tem afinidade e vontade, esqueçam a conversa fiada que sub deve se moldar ao Dono, a sub só se molda ao Dono depois de definida a consensualidade, onde se considera a afinidade, a partilha, o desejo, o encontro necessário entre duas pessoas para evoluir, só então a sub se molda ao Dono na busca do prazer de ambos.
Claro que uma sub pode buscar justamente aquilo que coloque a prova todas as suas convicções e zonas de conforto, a sub pode sim ir explorar o conflito, o desconforto mas, de novo, é necessário estar sob a condução certa, saber que o Dom é capaz de proporcionar tal viagem.
Ou seja, a sub acreditar que deve se anular, que o servir é simplesmente ser aquilo que o Dono quer sem valorizar seus desejos, vontades e sua própria natureza é conversa pra boi dormir, que ela deve se moldar ao Dono, obedecê-lo cegamente, etc... Tudo isto tem um contexto, baseado sempre na consensualidade, na aceitação, na leitura correta, na convicção da sub...
Passada esta fase inicial, a sub começa a filtrar, fazer escolhas mais apuradas, se sentir confortável no papel, evoluir...
Sua submissão é mais natural, tem muito de condução do Dom, de orientação, da proteção, da intereação entre ambos, de trocas...
Mas ainda não é uma sub plena...
A plenitude da submissão acontece quando todo o processo é intuitivo, natural, fluído... Quando a obediência vem no olhar, quando a condução se dá por sutilezas, quando a proteção não se dá por inseguranças, quando o obedecer cegamente não significa falta de entendimento do que está por acontecer...
A sub serve exclusivamente por prazer, não por necessidade, por carência...
A sub transita numa zona de conforto, confiante e segura de sua condição...
A entrega é plena, rica, sem percalços...
Mas não pense que se chega lá fácil, não tem uma sub que chega lá, e são poucas visto que a maioria fica pelo caminho, que não tenha um histórico de superação, de sofrimento, de angústias, de insegurança, de medo...
A sub quando atinge a plenitude tb é seletiva, não é dependente de estar numa relação, sabe administrar seus momentos, sabe se equilibrar com o lado baunilha... Não é sub para qualquer um.
Que tal? É uma boa meta?
Vale a pena a caminhada... As que chegaram lá, parabéns.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Evolução do Dom.

Pensando na trajetória de um Dom Psico, vemos que ele tb evolui, aprende com a própria prática. Com a vivência vai domando as próprias armas, recursos, vai se domando.
Observem que a ferramenta do Dom, o brinquedinho de um Dom Psico é a mente, quanto mais ele for Senhor dela, mas ele será Senhor de suas subs. Todo o resto é anexo, sem o domínio de sua mente ele não será ninguém.
Evidentemente esta habilidade vai aumentando com a experiência, ao menos deveria.
Comparando o BDSM a um mercado, falo do mercado do ponto de vista técnico, chega um ponto que as próprias subs passam a ter expectativas maiores, o filtro afunila e quem não evolui fica na estrada.
As habilidade de um Dom Psico são conhecidas: equilibrio, maturidade, sensibilidade, agudeza, auto controle, força mental, segurança, etc...
Os primeiros passos costuma ser trôpegos, é a sintonia fina, com o tempo se aprimora, vai ganhando forma, descartando o que é desnecessário, focando no essencial até chegar o ponto que a dinâmica da dominação se processa de maneira natural, sua interação com o mundo a sua volta é fluída, suave, sem sobressaltos.
Esta evolução é fruto de uma longa caminhada, fruto de vitórias e fracassos, de experimentar, de ser capaz de tirar proveito de cada coisa, cada momento até que sua condição de Dom se auto sustenta, sem muletas, sem amparos.
Talvez seja difícil de compreender, mas é semelhante ao aprendizado do caminhar, aqueles passos desajeitados vão dando lugar a um caminhar sem processamento, instintivo, natural.
Reforço que o Dom Psico não tem que dominar uma técnica, um recurso, um equipamento, sua mente é seu recurso, a partir dela tudo se desdobra, acontece. Neste processo vc pode aderir a uma prática, incluir uma técnica, abraçar um recurso, mas só fará sentido se vc tiver as virtudes de um Dom Psico, senão, vc corre o risco de ser mais um farofa que mistura tudo de maneira desordenada, em medidas inexatas.
Esta evolução tb muda as necessidade de um Dom, administra a sede de ter, de possuir. A maioridade de um Dom, seu auge o torna menos dependente da própria Dominação. Ele sabe quem é, do que precisa, sabe como ter, como manter...
É desejável que todo Dom Psico seja paciente e tenha como meta este momento, construir-se até chegar lá.
Não se nega, também, a importância das subs nesta trajetória, de como cada uma vai forjando o Dom, dando-lhe forma, tamanho, relevo. Podemos dizer que conhecendo suas subs, se conhece o Dom. Claro, colocado tudo ao seu tempo, pensando na caminhada, na evolução, lembrando que o erro é parte do processo, fazer-se e refazer-se.
Como toda habilidade, a dedicação e o empenho, fora o talento natural são preponderantes nesta formação, afinal, como todos sabemos, é preciso ter a natureza para pertencermos ao BDSM, senão somos só visitas nos divertindo entre adultos.
Outro aspecto importante é que este Olimpo não torna os Doms iguais, a evolução de cada um se dá na sua linha, na sua perspectiva, no seu formato. Evoluimos dentro de nossas individualidades, sempre. Doms e subs precisam respeitar isto, com o tempo vc aprende a ser fiel à sua natureza, ao seus desejos, à sua individualidade.
Percebam tb que esta evolução vai deixando para trás a arrogância, o destempero, a vaidade... Não tem como falar da excelência de algo sem levar em conta o caráter e o temperamento.
Ninguém nasce pronto, precisamos reconhecer isto no outro e em nós mesmos. É a primeira sabedoria de uma trajetória.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Submissão Baunilha

Muitas pessoas relatam submissão como algo sempre presente, mas que não sabiam descrever. Uma opção frequente é a submissão física, no sentido de querer se submeter sob uso de força, energia, sadismo, etc... Esta acaba dando as caras nos relacionamentos, sempre com pedidos constrangidos de uso de força, de um tapa, de xingamentos, etc...
E tem a submissão de obedecer, pertencer, se entregar, satisfazer, estar sob cuidados...
Me dedicando a esta, tema do blog, repito aquilo que é uma constante em meus textos: não confunda...
A submissão fora de lugar, fora de contexto, é ruim, causa mais danos do que ganhos. Não a toa acaba sendo mal vista, como sinônimo de nulidade, de "mulher de malandro", de mulher sem iniciativa, etc...
Não existe proteção numa relação onde um lado "explora" o outro, tira proveito, se beneficia sem oferecer nada em troca.
Por isto a submissão tem seu espaço, se encontra e florece quando dedicada à um Dom, quando vc tem um Dono consensual ao qual vc se submete de vontade própria, dentro de condições pré acordadas.
Misturar as coisas não funciona, a mairoia em algum momento se dá conta, mas achar a solução...
Tanto a Dominação quanto a submissão tem dois lados, um obscuro e outro colorido, mas nem todo mundo tem a chance de conhecer, sequer de viver o lado iluminado.
Como faca de dois gumes, muitas vezes é a própria submissão que te arrasta pra armadilha, nós que não se desatam.
Mas quem disse que uma sub deve ser nula, fraca e sem iniciativa?
Ao contrário, se submeter exige uma força sem igual, uma coragem impar, qualidades que tornam a mulher sub alguém fora de série. Tanto é verdade que poucas são bem sucedidas.
Não vou aqui fazer o discurso do caminho fácil, não é. Não é fácil começar muito menos se manter, mas se vc encontrar as mãos certas para te conduzir, segure.
Mas não se iluda, antes de tudo observe, estude, explore bem pq nenhuma ilusão resiste a um bom teste de paciência.
Uma única coisa é certa, sem a condução certa, nenhum tipo de submissão é válida.
Sua liberdade de escolha é sagrada.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Confiança

Todos sabem da importância da confiança na relação, qualquer que seja ela. A confiança estabelece as possibilidades, define os limites, desenha a relação em si.
Confiança é um dos pilares da relação BDSM, não tem como avançar sem ela, ao contrário, só se avança conforme ela cresce.
Mas visto assim de maneira pura, podemos perder o essencial, a confiança se espalha na relação, tem formas variadas, é quase o ar que se respira.
Vc confia na pessoa, vc confia em vc, vc confia nas suas e nas decisões do outro, vc confia na sua intuição, vc confia na entrega, vc confia no seu potencial e no do outro, etc...
Claro que vc precisa confiar no outro pra evoluir, mas não basta, vc conhecendo o outro, sabe onde ele pode chegar e confia nisto, investe nisto.
São confianças diferentes que determinam o caminhar.
A sub, por exemplo, deve confiar na condução do Dom, nas escolhas dele, na capacidade de tomar decisões, de lidar com situações complicadas, de saber se portar numa sessão, de ter a ética necessária, de saber lidar com as questões pessoais de ambos, de ter auto controle, na habilidade do trato, na concepção de situações, no equilibrio emocional, etc...
Na maioria das vezes vc tem uma ou outra confiança, mas aqui e ali acaba rolando uma insegurança, um receio, algo que te trava, pode até te impedir de ir além.
Já o Dom deve confiar na capacidade da sub, é abrangente dito assim, tudo começa na identificação da submissão real, na capacidade dela de reagir e lidar com as diversas situações, na condição emocional, psicológica e até intelectual, na capacidade de aprendizado, de evolução, na maturidade, na postura, na capacidade de proporcionar prazer, fazer leituras corretas, manter o foco, não distorcer realidades, entender os significados da relação, na entrega física e emocional, identificação dos limites, na capacidade de supera-los, etc...
Normalmente a relação se inicia assim que se estabelece a confiança, mas a caminhada só será definida conforme as diversas confianças forem se estabelecendo.
Relações promissoras podem ser só isto depois de um tempo, ficarem na promessa, outras com expectativas menores podem surpreender e crescer, avançar, ganhar forma de maneira inesperada e surpreendentemente boa pra ambos.
Pq se a confiança é a força que inicia a relação, são suas variantes que definem o tamanho e a forma.
Isto explica pq as relações são tão diferentes, pq não tem receita pronta, a tal sensibilidade envolve perceber o grau de confiança para cada aspecto da relação.
Uma coisa é certa, poucas relações atingem confiança total, é quase lendária a relação onde Dom e sub conseguem tal nível de confiança que a partir dali, tudo podem. Não o tudo podem irresponsável, mas dentro do que ambos querem, desejam, cogitam. O livro de folhas brancas diantes dos dois, para que se escreva todas as formas possíveis dentro daquela relação.
Poucos chegaram tão longe, poucos tiveram a capacidade de ler a oportunidade, e muito menos ainda tiveram a chance de vivenciar.
Quem tiver a chance, não desperdice, não deixe nada te tirar esta oportunidade, VIVA.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O tamanho da relação.

Na relação de Dominação Psicológica o Dominador deve ter a responsabilidade de definir o tamanho que ela terá. Compor os ingredientes desta relação, definindo como cada um vai fazer parte, estabelecer limites, criar possibilidades dentro daquilo que a relação permite.
E o que a relação permite depende muito do que a sub é capaz de lidar, e ai entra a leitura do Dom. Tb é preciso considerar o que o próprio Dom tem interesse em compartilhar, ceder, permitir.
Se vc subestimar ou superestimar a relação, criará zonas de atrito desnecessárias que nem sempre serão administráveis. Efeitos colaterais, se existirem, devem ser previstos.
A dosagem deste processo tb está nas mãos do Dom mas, é fundamental, que a sub confie para que possa seguir em frente. Nem sempre ela terá o que deseja, ao menos a primeira vista pq, se bem conduzida, logo ela entenderá as razões Dele. Outras vezes o caminho aponta pra bem mais longe que a sub se sente capaz, mas se o Dom fez a leitura e a dosagem correta, ela logo descobrirá e lidará com novos horizontes.
Não existe receita pronta, sempre digo isto, tem um pouco de intuição, muito de percepção. Identifcar o potencial da sub, ensina-la a lidar, ganhar confiança, dar o tamanho exato à relação para que ela prospere.
Nem sempre é fácil esta leitura, no aprendizado do Dom é onde ele mais vai errar.
Mas, já amadurecido e vivido, competente na arte de Dominar, ele enxergará na sub seu potencial e, dentro da dinâmica natural, saberá se posicionar e conduzir. A dinâmica natural diz que as coisas mudam, ou seja, esta leitura deve ser capaz de acompanhar as mudanças, ter esta sensibilidade é parte fundamental da formação do Dom.
Mas a sub, no processo de confiança que se estabelece, deve saber que seu Dono sabe o que faz, faz as escolhas certas, abre as portas que deve abrir, mantém outras fechadas, respeitando a individualidade da sub, seus recursos e limites.
Algumas raras vezes o Dom percebe que tem nas mãos uma sub que permite ir mais longe, explorar de maneira única tudo que a relação oferece, este evento só ocorre com a composição certa, quando Dom e sub encontram seus parceiros reais, quando a busca termina, pq houve o encontro. Esta rara relação, quase lendária, permite que ambos explorem sem tantas (ou nenhuma) barreira, todas as possibilidades com que ambos tem afinidade, gosto, desejo. É o compartilhar.
Mas não se antecipe, não pense como os adolescentes que acham que o primeiro amor é tb o grande amor. Não faça uma escolha conveniente. Sabendo o tamanho certo de sua relação, será feliz nela.
Cada relação te prepara, te amadurece, te ensina a lidar, a perceber.
Um dia vc estará pronto(a) para, quem sabe (e se tiver sorte), encontrar a relação plena, que te complete, te preencha, te permita vivenciar o melhor de uma relação Dom e sub.
Viver intensamente cada relação, respeitando seu tamanho, só te tornará capaz de ir mais longe.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Canalizar sua natureza.

A maioria das histórias de membros do BDSM envolve a percepção já de longo tempo de que tínhamos algo de diferente, uma necessidade, uma inquietação. O problema é que, muitas vezes, não sabíamos lidar com isto e tirava a desenvoltura da vida, limitando, pertubando, afetando nosso modo de ser e nossas escolhas.
Ai vem o BDSM se descortinando como solução, mas...
Com o passar do tempo as coisas não acontentecem como esperado, ao menos na vida baunilha.
O problema é que poucos conseguem canalizar exclusivamente sua natureza Dominante ou submissa para as relação BDSM, continuam deixando "contaminar" a vida pessoal.
O sucesso na vida baunilha depende da maneira com que vc se relaciona com o mundo, como vc se posiciona e usa suas virtudes, neste universo tanto uma quanto a outra natureza que fazem o BDSM, afetam os frutos que vc colhe, seu desempenho.
Não dá pra ser submisso no dia a dia, muito menos pensar que o mundo está aos seus pés. Profissionalmente é um erro, garantia de que vai ficar estacionado a não ser que vc tenha um talento fora de série que te permita ser aceito do jeito que é.
Na vida pessoal, os efeitos costumam ser bem piores, degradando a relação, afundando até que não reste alegria, só auto consumo. Claro que por vezes vc dá sorte e encontra no parceiro o que o nome sugere, complemento à sua natureza e vcs vivem uma relação que vai se equilibrando como pode. Mas e os filhos? Como educar bem os filhos se deixar predominar uma destas naturezas? Preciso responder?
O óbvio de tudo isto é que nossas naturezas se encontram e prosperam no ambiente BDSM mas são fontes de problema na vida baunilha.
Se não souber canalizar, o conflito se torna uma constante, te consome, afinal de contas, depois de experimentar sua real natureza, em todo seu potencial, a tentação é imensa de "exportar", mas não, não faça isto.
O BDSM é aprendizado, te ensina a organizar sua vida, a colocar cada coisa em seu lugar, sem este aprendizado, sem a sabedoria de dosar, vc corre o risco de piorar aquilo que só era uma inquietação.
O BDSM permite sua natureza aflorar, ganhar corpo, vivenciar tudo aquilo, mas só dentro do BDSM. Canalizando, vc terá liberdade e força pra viver a vida baunilha conforme as exigências delas, sendo forte, capaz, equilibrado e sábio.
Ser bem sucedido como submissa ou Dominante significa que vc soube, também, canalizar, dar o espaço devido, colocar as coisas cada uma dentro do seu espaço.
BDSM, lembre-se, não é substituto, não é alternativa, é algo pra ser vivido com inteligência e de maneira integral. BDSM não compete, mas complementa. O BDSM, acima de tudo, ensina, te preenche, te dá vida.
Transitando dali pra vida baunilha, vc estará mais forte, mais bem resolvido(a), mas senhor(a) de seus atos. É assim que deve ser.
Mas se alguém imagina que sua natureza pode ocupar todos os espaços, boa sorte. A vida cobra sua conta. Mas não creio que o masoquismo vá tão longe e por tanto tempo, a infelicidade costuma ser dura demais com as pessoas.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A condução.

Leashed, upload feito originalmente por LeopoldV.
Ela não te reprime, cerceia. Ela leva vc aos recantos mais escondidos de sua alma, de seu prazer.
Sob as mãos certas, o infinito se abre diante de vc.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Arrepio

39561350f, upload feito originalmente por Manoel Guimaraes - Photographer.

Proteção

O conceito de proteção no BDSM por vezes é tão distorcido, e olha que nas famosas três regras ele é mais do que reforçado.

Um Dom deve proteger sua sub, deve orienta-la, torna-la capaz de lidar com as diversas variáveis de uma relação assim como em suas interações com o mundo externo, fazê-la se sentir segura, confiante, capaz de confrontar seus medos e inseguranças.

Um Dom tb deve ser o abrigo de sua sub, oferecer conforto, serenidade e atenção. Estar sob os pés do Dono tem mais significados do que um simples ato de entrega ou, como alguns preferem, de devoção.

O Dom é o farol, o Dom é o norte da sub, mas estas virtudes são naturais, inerentes à própria Dominação, são qualidades de um Dom. Não se podem simular tais qualidades.

Relações só são duradouras quando há esta sensação de proteção, o que é feito de vidro quebra, não resiste às tensões de uma relação tão intensa.

Tb é óbvio que o Dom precisa ter uma ligação com a sub, relacionamentos não são aleatórios, não se formam em esquinas, em atos impulsivos, movidos pelo tesão ou seja lá mais o que. Uma imagem que se constrói e se sustenta no dia a dia, e são as conquistas do dia a dia que vão formando o conjunto de coisas que permitem à relação evoluir e, Dom e sub, estabelecer laços cuja fortaleza os levará pra onde desejarem.

Muitos não entendem estes conceitos, sexo apimentado isoladamente jamais vai sustentar por longo tempo uma relação. É como uma casa construída, só se sabe ser forte depois de enfrentar várias intempéries.

Não existe acaso, mesmo que a vida te brinde com um encontro daqueles de contos, é a realidade que fará dele algo inesquecível. São os momentos reais onde a sub sabe que encontrará no Dono sua proteção e onde o Dono terá o gosto de retribuir toda a dedicação da sub, ao seu jeito, claro.

Dominação é, também, proteção.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cegos no Castelo.

A inveja e a cobiça realmente não combinam com BDSM. Pois é, falamos tanto das virtudes que, por vezes, nos esquecemos dos vícios e defeitos que corrompem tudo.
Mas, felizmente, sempre tem aqueles que, em seus excessos, nos lembram de que devemos zelar pelo que temos de mais precioso.
Não é de hoje que alguns tentam exercer o papel de donos do BDSM, os sabichões que, em suas arrogâncias e prepotência, menosprezam as individualidades e os direitos alheios. Por eles, teríamos não três regras, mas uma constituição estabelecendo plenos poderes pra eles, claro. Já li propostas, por exemplo, de que toda sub antes de se submeter aos seus Doms consensuais, deveriam passar pelas mãos "sagradas" de uma elite, que assim se auto definiam.
E aquilo que tem de mais belo se tornaria cinza, perderíamos o direito de estabelecer nossas relações de maneira consensual, teríamos carteirinhas como as de motorista, com classificação, renovação e taxas. Pagaríamos anuidades como as dos conselhos regionais, logo teríamos provas como as da OAB, todos os equipamentos e brinquedinhos precisariam de selo de algum instituto gerido por este grupo.
E onde ficaria o bom e velho BDSM? Seria proibido até de se falar, livros seriam queimados junto com qualquer filme que, mesmo que de passagem, tivesse uma cena de Dominação, falar do "são, seguro e consensual" receberia pena grave.
O BDSM é construído em cima de respeito, da troca, do entendimento. Não são regras feitas somente para proteção, o que é importante, mas para assegurar que as pessoas tenham o direito de encontrar aquilo que as complementa como individuo. Cada individuo que tenha uma natureza dominadora ou subserviente, em suas infinitas possibilidades, desde que dispostos a manterem relação continuada e duradoura, encontra aqui seu lugar.
Não precisamos de mais regras, não precisamos de ninguém nos dizendo como, quando e com quem fazer. Temos não só o direito a estabelecer nossas relações como tb de fazê-lo da melhor maneira, que seja respeitoso com o outro e consigo mesmo.
Cada relação oferece uma nova leitura, uma nova abordagem, um novo entendimento sem perder a essência que promove o encontro entre duas ou mais pessoas numa relação dentro do que chamamos BDSM.
No entanto, sempre tem alguém tentando impor sua leitura, seu modo de ver as coisas.  Cada um tem o direito de fazer do jeito que quiser, desde que de maneira respeitosa e responsável, desde que dentro dos limites da sanidade, daquilo que se estabelece entre duas pessoas. Como se diz, seu direito termina aonde começa o meu.
Mas, apesar de toda a obviedade, sempre tem alguém distorcendo tudo, indo contra tudo que se prega, convenhamos, é como pregar a paz impondo a guerra.
Esta tal cegueira, ou afronta, é digna de pena, coisa de quem não sabe conquistar pelo próprio mérito, daqueles que, perdedores, buscam possuir através de meios escusos, de armadilhas, falsidades, mentiras.
Ou será que realmente não enxergam? Incapazes de apreciar e aprender com a riqueza que se espalha diante de nós, que se mostra de maneiras tão bonitas e especiais.
Bom, contra esses, prudência. Cuidado com as belas maçãs oferecidas, a vaidade torna as pessoas capazes de tudo.
Por isto o velho conselho: viva intensamente sua relação, se dedicando à parceria, às descobertas e ao aprendizado. Cuide de seu espaço, de suas coisas, cresça e amplie o que tem, não deixe que nada nem ninguém tire de vc(s) aquilo que conquistaram. Cuidado com os falsos amigos, com os conselhos dados sempre em hora oportuna, cuidado com quem divide suas conquistas, a inveja corrói.
Só vcs sabem a beleza daquilo que possuem, sem a necessidade de expor em vitrines, de gritar aos sete ventos, pois, cuidado, a inveja sempre estará a espreita e ela detesta ficar de fora.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ir além.

Summer trip 6. Figure, upload feito originalmente por Alex Dram.
Mas do que a capacidade de ir além, é preciso a capacidade de ler além, de entender além do que se oferece. Sem esta capacidade, o caminho jamais será visto.
Ver além e lidar com o que se descobre é a grande sabedoria, senão seremos semrpe reféns do velho.

terça-feira, 17 de abril de 2012

domingo, 15 de abril de 2012

Constatação do Dia.


As pessoas criam suas próprias verdades e nelas repousam. Cegas, jamais percebem o quão longe estão da realidade.
Se nutrem das fantasias, desejando obstinadamente transforma-las em verdades. Enquanto isto, a verdade teima em acontecer... Sem o testemunhos daqueles que optaram em se negar a ver.
Tão mergulhados nos sonhos que vivem, distorcem até aquilo que lhes salta aos olhos, se apresentando com o brilho que só a verdade pode conter. Entorpecidos, só enxergam vultos, borrões...
Quando se dão conta, não há mais ninguém ali, perderam tudo. 
Que triste viver assim.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Frase do Dia.

A relação Dominador/submissa é um encontro de vontades. Quanto mais estas vontades forem complementares, mais feliz será este encontro.

quarta-feira, 21 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

O Aprendizado do Dominador.

A capacidade de um Dom aprender com o processo de dominação, na interação com sua sub e a maneira que transforma este conhecimento em ação é o que lhe permite ser bem sucedido no papel que exerce.
Justamente esta virtude de processar o que absorve que o torna capaz de transmitir e conduzir uma sub.
Muito se diz, e é uma verdade absoluta, que a sub é uma eterna aprendiz dentro da relação, mas pouco se valoriza o aprendizado do Dom, como se ele já nascesse pronto pra missão de Dominar.
Não é bem assim, da mesma maneira, não existe manual, regras a serem seguidas. Cada um deve usar de suas qualidades pessoais para ganhando forma, a partir dai, e sempre de maneira dinâmica, ir absorvendo mais e mais a cada nova fase, a cada nova relação.
Tb é preciso entender que é um processo linear este de aprendizado, pq pular de galho em galho caracteriza o curioso, a busca por algo ainda não definido. Pode até fazer parte dos primeiros passos, mas estabelecida a caminhada, cabe se aprimorar naquilo que escolheu e onde se sente bem.
Quanto mais aprende, mais se torna capaz de transmitir, quanto melhor e maior for esta capacidade, mais a sub tem a ganhar.
Não significa que a relação perfeita só se dê na maturidade do Dom ou de sua sub, ao contrário, todas as fases são ricas e inesquecíveis, devemos sim aproveitar todas, devemos valorizar a relação e as trocas que ocorrem, reconhecendo que ambos ganham e transmitem ao outro, a relação só tende a crescer e oferecer todos os belos momentos que tanto almejamos.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Grande Equívoco.


Se existe algo constrangedor é a leitura baunilha lançada sobre o BDSM. Quando visto de fora, vira um show de aberrações e atrações pra lá de peculiares. Tanto é que a maioria de nós prefere manter bem guardadinho o que somos e fazemos.
No entanto, nada supera a leitura baunilha dentro do próprio meio, considerando que temos regras próprias de convívio e relacionamentos, ter uma leitura abaunilhada só causa distorções e, muitas vezes, danos.
Expectativas, desejos, vontades que surgem pela leitura equivocada, pelo entendimento distorcido produzem desdobramentos costumeiramente ruins.
Por outro lado, ao bom observador e aprendiz, acaba sendo uma ótima oportunidade de crescer, evitar os erros, construir algo sólido e que te faça tomar decisões com maior chance de acerto, algum grau de sabedoria.
Muito se fala do BDSM, de gente tirando proveito do meio, mas a maioria aponta pra fora, não vê a própria contribuição para que isto aconteça.
É como diz o velho ditado: "Quando apontares para alguém, lembre-se que outros quatro dedos apontam para você".
Claro que ninguém é imune ao erro, mas não aprender é burrice (outro bom e velho ditado).
O BDSM existe com suas regras para proporcionar a cada um de nós a chance de viver necessidades que, costumeiramente, são fortes o suficiente pra nos tirar da zona de conforto. Mas não é espaço para namoricos, casinhos, aventuras sexuais. Todos aqui em algum momento defenderam estes argumentos, no entanto, quantos foram além da palavra?
O BDSM é uma ótima experiência, acrescenta muito, promove grandes mudanças em seus praticantes, desde que seja praticado o real BDSM, senão vira placebo.
Quem está aqui pra joguinhos sexuais jamais vai entender o que realmente move alguém dentro do meio e eu lamento. Mas, o mínimo que se espera, é respeito. Já não bastasse ter que lidar com a leitura que vem de fora ainda temos que lidar com os equívocos dentro do meio?
Quem entra num mundo tão intenso sem ter o menor preparo? Que loucura é esta de se aventurar em algo reconhecidamente arriscado e intenso e não se prepara para isto? Não dá pra ficar interpretando tudo com a mesma ótica lá de fora, do mundo baunilha, convenhamos.
De nada adianta ter um discurso afinadinho, bonitinho, para inglês ver se na hora H vc falha clamorosamente. O que não falta é telhado de vidro.
O pior que ao menos nisto a vida baunilha nos ensina bastante, a ter prudência, a ser coerente, a observar mais e melhor, a ter cuidado com as próprias ações, etc...
Existem bons praticantes, mas cada vez mais escassos, tão diminutos em quantidade que logo deixarão de fazer parte já que uma nova ordem começa a se encorpar e ganhar espaço dentro do meio, criando um híbrido de BDSM com baunilha.
Mas não se preocupem, como é há séculos, o BDSM de verdade encontrará seu lugar, viverá para todo o sempre, pena que até lá muitos deixem de viver as belezas e a riqueza deste meio tão profundamente encantador.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mentes Obtusas II


O BDSM bem vivido é das coisas mais enriquecedoras que alguém pode passar. É transformador, é intenso, é prazeroso, é único.
Mas não é para todos.
Ter a sabedoria de perceber isto já é um dos efeitos benéficos do meio. Não adianta forçar sua natureza na expectativa de conseguir alcançar o que é tão certo e ajustado nos outros.
Cada um de nós tem seus caminhos para a felicidade, não existem atalhos, devemos ser obstinados sim na busca de nossa felicidade, esteja ela onde estiver, seja qual caminho deva ser percorrido.
Felicidade, portanto, não se rouba, não se pega emprestado, busque a sua sem se deixar cegar pelas tentações ou pelos enganos.
Conselhos antigos, que atravessam os séculos e sobrevive ao tempo pq é uma verdade inatacável.
Infelizmente, muitos ainda não se deram conta disto e buscam a todo custo não só roubar a felicidade alheia como impedir que os outros sejam felizes.
Mas o que eles têm além do propósito malévolo de prejudicar aos outros? Nada. Quem age assim não tem amigos, não tem vida, não tem motivos pra sorrir a não ser em suas eventuais vitórias. Repetindo uma definição usada anteriormente, são espíritos sem luz.
A gente sempre espera que o bom senso impere, que as pessoas um dia acordem pro fato que viver em função de outras vidas só os tornam infelizes e vazios.
Na primeira postagem com o mesmo nome, uma das pessoas que vivem em função de ataques anunciou que as coisas só iriam piorar, pois é, cumpriu sua palavra. Quem dera tamanho esforço fosse dedicado a própria felicidade e não a tentativa de prejudicar aos outros.
Um dos equívocos é imaginar que se ataca somente indíviduos, se ataca também convicções, crenças, opções de vida. Se ataca tb todos que acreditam nisto e na correção de atitudes. Não se denigre somente pessoas, se denigre o próprio BDSM com este tipo de ação.
E cá estamos de novo trazendo a tona os fatos.
Quando os ataques são individuais, vc decide se quer fazer parte deles ou ignora-los. Eu e atena decidimos ignorar. Quando os ataques se estenderam, decidimos nos manifestar pelo tempo necessário pra deixar as coisas mais claras.
Mas numa segunda onda, os ataques vieram mais baixos: roubos de fotos, de identidade, ameaças à amigos, insinuações, perfis em sites de prostituição, falsos dossiês lançados irresponsavelmente no ambiente profissional.
A maldade humana revela a falta de limites das pessoas.
Mesmo diante das providências tomadas, ainda se sentem confortáveis em prosseguir, contando com a ingenuidade de muitos e ambição de outros.
Quantos foram iludidos e seduzidos por histórias escabrosas contadas como num enredo de novela com baixos indíces de popularidade. O que é interessante é como muitos ainda se aproximavam buscando tb tirar proveito da "vítima".
Os fatos deveriam ser derradeiros, o simples comparar de estilos já seria suficiente, mas não foi. O simples observar das amizades deveria ajudar, mas não ajudou. A simples leitura dos fatos narrados deveria causar questionamentos, mas não causou.
E é isto que assusta. Como a verdade pode ser massacrada sem que as pessoas, ao menos, queiram apurar. Sopro no seu ouvido uma história e vc a toma como verdadeira? Onde fica seu discernimento e sua capacidade de julgar?
É justamente por isto que se faz necessário retornar aqui e se posicionar.
Um bordão antigo dizia: Ele está certo, errado está quem lhe dá razão.
Pois aqui estamos de novo, eu e atena, pra proporcionar a todos a chance de conhecer a verdade.
Observem que a fidelidade prevalece, indo muito além dos formatos da relação, do status de nossas vidas. Talvez isto incomode.
Atena não me serve mais, nem estava mais no meio, se dedicando a sua vida baunilha com sucesso, está feliz, conquistando e vivendo coisas que sempre sonhou. No entanto, diante dos novos fatos, refez seu perfil, juntou os amigos e estamos aqui pra desmacarar um fake, lançar luz sobre a verdade para os que ainda não se deram conta, permitir que ainda a tempo saim da canoa que afunda e, também, se juntem a nós pra demonstrar que não aceitamos mais este tipo de coisa.
Muita gente tem se manifestado, muita gente tem se revelado de maneira muito positiva e, confesso, fiquei orgulhoso com algumas coisas que vi. Creio que muitos tem amadurecido com os acontecimentos, percebido com mais clareza os riscos envolvidos. Ainda há tempo de outras pessoas se posicionarem com o mesmo vigor, muitos que sabem de verdades que ainda não foram divulgadas, cada um deve saber sua responsabilidade.
Sempre abominei a publicidade, quem me acompanha no blog sabe disto, quando falo de publicidade falo de marketing barato, de ações para se vender uma imagem, criar chamariz para um ou outro, vendendo o peixe errado. Acredito nas relações bem vividas, envolvidas com seus compromissos internos. Observem que o marketing que aqui falo não é a mesma coisa que as relações abertas, são coisas bem diferentes. Uma coisa é o desejo de permitir que outros compartilhem os bons momentos de uma relação, outra é contar histórinhas pra boi dormir, vendendo coisas que não existem.
Portanto, é assim que mantenho minha vida dentro do BDSM, mas isto não significa conceder espaço pra que as pessoas se criem em mentiras e lendas, sou e continuarei sendo seletivo, não sou imune ao erro, ninguém é, às vezes abrimos portas erradas, mas continuarei com minha convicção e postura, venho aqui não contrariado, pq sei que é necessário, estou aqui com a responsabilidade que o caso requer, mas lamento que tenha que ser assim, lamento por pessoas próximas que foram atingidas e atacadas, lamento pq algumas destas pessoas sentiram realmente os ataques, mas espero que fazendo o certo, possamos amenizar os estragos feitos.
Muitos se uniram nesta luta, sabendo o que estava em jogo, sabendo do jogo sujo, com cautela e sabedoria, ganhamos corpo pro que agora se mostra, para que todos possam não só conhecer os fatos, mas se manifestar. Muita gente até conhece os fatos e está tendo agora a chance de se manisfestar, de se posicionar. Infelizmente os ataques foram feitos de tal maneira que só restou agir assim, para que a verdade não fosse distorcida e lançada irresponsavelmente.
Não gostaria só de trazer a verdade a tona, gostaria tb que as pessoas envolvidas nos ataques repensem suas atitudes, observem a dignidade de quem está ao nosso lado, a correção de nossas atitudes e possa tb se redimir. Que perceba que não alimentamos o jogo sujo, que não jogamos na mesma moeda, pq cada um de nós só tem a perder com isto, são pessoas com suas vidas, com pessoas queridas pra cuidar, com vidas a se dedicar. Todo mundo tem uma chance de se voltar para aquilo que é necessário e verdadeiros em suas vidas, a oportunidade é agora.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Manchete.

Muitas vezes estamos caminhando na rua e olhamos aquela banca cheia de jornais abertos convidando a leitura, damos uma paradinha, lemos as principais notícias, das mais variadas fontes e estilos, e seguimos em frente com um novo repertório de assuntos para nossas conversas.
No mundo da internet esta mesma paradinha se dá nas páginas dos principais sites, com fotos e vídeos saltando aos olhos.
Quando se analisa as notícias efetivamente lidas vão se destacar as fofocas, os BBBs e as esportivas.
Recentemente, uma grávida morreu em um acidente em São Paulo, de maneira precipitada toda a mídia, público em geral e até a polícia condenaram o outro motorista. Pq? Boa pergunta. Será pq uma grávida morreu? Pq não foi possível salvar a criança? Pq era a segunda esposa do motorista que havia morrido num acidente? Pq encontraram garrafas no carro do outro? Nenhum fato aprofundado, até que surge um vídeo propiciando nova leitura dos acontecimentos.
Anos atrás os donos de uma escola infantil perderam tudo, sofreram ameaças, não só foram condenados publicamente como sofreram todo tipo de perda. Me corrijam os que se lembram, mas o caso ficou conhecido como escola base onde uma denúncia ganhou proporções e todo mundo comprou a história contada avolumando as consequências nefastas.
Onde quero chegar?
Me pergunto pq nos contentamos com as manchetes, em aderir imediatamente ao lado que mais se identifica com vítima e sair defendendo como se tivessemos conhecimento de causa.
Basta fazer cara de vítima, ter perfil de vítima e pronto?
Me lembra muito conflitos de irmãos onde um aprendeu a ser a "vítima" enquanto o outro sempre acaba antecipadamente condenado como vilão pq não desenvolveu a mesma malícia do outro.
Mas somos adultos, responsáveis, com histórias de vida. Pq ainda fazemos isto?
Assumir tal ingenuidade é assustador, as pessoas são induzidas com facilidade por qualquer discurso barato, pq qualquer mentira. Mesmo que um dia constatem que tb foram vítimas, seguem em frente como se nunca tivessem tomado partido da causa errada. Sem culpa e aprendizado tb?
O BDSM não costuma perdoar este erro, pq ele é revelador, pq ele nos leva pro campo das vítimas em potencial, pq o BDSM ensina que devemos ter critério, devemos ser cuidadosos, devemos saber escolher com quem andamos.
Não é só mais uma história a contar ou mesmo pra se esquecer, é algo que deve ser refletido visto que revela comportamentos que fragilizam num universo tão cheio de riscos e ameaças.
Sim, os riscos são reais e quem tem um bom tempo nisto conhece histórias dos mais diversos tipos, de situações que foram muito além do mero acidente de leitura, não é algo que passa e se esquece.
Apesar de indícios bem claros, ainda assim as pessoas persistem no erro, aderem as campanhas erradas, às companhias erradas.
O bom BDSM, aquele tantas vezes citado aqui, alcançou este nível e este status a partir do momento que soube separar o joio do trigo, nem sempre é possível fazê-lo de primeira, mas sempre é tempo de sair de uma canoa furada.
Muita gente se contenta com a leitura rápida de uma manchete, tiram conclusões e acham que já sabem o suficiente quando, ao contrário, os fatos verdadeiros são outros, bem claros, bem apresentados e, muitas vezes, bem diferente do que as manchetes insinuam.
Não a toa, os jornais mais vendidos hoje em dia são os de leitura rápida e com manchetes sensacionalistas, assim como o BBB ocupa todo espaço da mídia. Vivemos inseridos num imenso BBB.
Se vc chegou até a este ponto de leitura, parabéns, vc é um caso raro, normalmente textos são só cliques rápidos em busca de imagens ou algo que prenda por cinco segundos.
Se chegou até aqui, provávelmente não é do tipo que é sugestionado com facilidade, que interpreta as coisas baseados em rápidas leituras.
O blog leva o nome de observatório por uma razão bem óbvia, só é possível aprender algo quando nos aprofundamos. A linda paisagem da superficie de um lago não revela todas as suas verdades.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Oportunidades.

É muito interessante como a vida nos dá oportunidades e como lidamos com elas. Entramos no BDSM com uma série de expectativas, algumas reais e outras nem tanto, uma dose de fantasia é comum entre quem começa no meio.
Oportunidades vão surgindo, oferecendo ensinamentos, aprendizados, vivências.
Às vezes de forma dolorosa, outras de maneira suave, mas sempre deixando suas marcas.
O lidar com estas oportunidades é que diferencia quem segue em frente de quem fracassa. O que não dá é pra culpar a oportunidade ou terceirizar a própria responsabilidade.
Devemos aprender, buscar entender e a cada nova oportunidade ir usando o que se acumulou, como uma bagagem crescente que vai nos oferecendo apuro na hora de decidir.
Nem todo mundo sabe lidar e entram vários motivos pra isto: despreparo, excesso de confiança, erro de leitura, inadequação, arrogância, medo, insegurança. etc.
O que fazer no fracasso? Seguir em frente, agregar conhecimento, se aprimorar.
Oportunidade perdida é passado, olhe pra frente e siga.
O mais impressionante é que muitas vezes estragamos até a chance de novas oportunidades, estragamos de tal maneira que nada mais resta a não ser o desgosto e amargura.
Pena...
Muita gente se afunda neste processo, de tal maneira que acaba levando consigo até quem tenta ajudar.
A sabedoria é a coleção bem sucedida de oportunidades aproveitadas, mesmo as perdidas se tornam ganhos, afinal, como diz o velho ditado: Errar é humano, persistir no erro...